Proprietário de lar em Garvão demite-se de vereador após morte de idoso

O proprietário do Lar de Garvão, no concelho de Ourique, onde no sábado ocorreram agressões entre utentes que resultaram na morte de um idoso de 96 anos, renunciou ao cargo de vereador da CDU na Câmara de Castro Verde, para o qual tinha sido eleito em outubro.

Aludindo ao que aconteceu no Lar de Garvão, do qual é proprietário e que foi fechado pela Segurança Social, no domingo, Sérgio Delgado argumentou que houve um “aproveitamento político desta situação”, associado à sua “condição de vereador”.

“Sempre soube separar de forma clara a minha atividade política da minha atividade profissional. Ainda assim, e face ao sucedido, já tomei a decisão e agi em conformidade”, escreveu Sérgio Delgado numa publicação partilhada na sua página na rede social Facebook.

Nessa publicação explica que, desde 2024, através de uma empresa, explorava o Lar de Garvão e que, no sábado, para dar resposta a um “pedido com caráter de urgência feito por familiares na véspera, foi excecionalmente admitido um utente temporário”.

“No momento da admissão” – garante – “não foi comunicado qualquer elemento clínico, para além dos motivos da deslocação à urgência, perfeitamente naturais atendendo à sua idade, que justificasse cuidados especiais relativamente a esta pessoa”.

Contudo, o utente, de 92 anos, cerca das 22h30 de sábado, “num ato completamente imprevisível, após ter conseguido remover um apoio metálico da casa de banho, agrediu os seus companheiros de quarto e uma outra utente, provocando ferimentos que levaram ao falecimento de um deles”, enquanto o outro permanece internado.

O utente “tentou ainda agredir um militar da GNR que acorreu ao local”, acrescentou Sérgio Delgado, insistindo que “a pessoa responsável por este incidente não era conhecida do pessoal do lar, não havendo, por isso, qualquer informação prévia que justificasse a adoção de cautelas específicas”.

Em relação à informação de que o lar se encontraria em situação ilegal, devido a falta de licença, o responsável justificou que essa “situação de irregularidade decorre exclusivamente da não emissão da licença de funcionamento, resultante de uma falha procedimental associada a um excesso de zelo burocrático” das entidades competentes.

O lar “continuou a funcionar, sendo certo que de forma irregular”, mas “prestando aos seus utentes um serviço de qualidade e digno, facto reconhecido, de forma pública e inequívoca, pelos próprios utentes e seus familiares”.

Recorde-se que o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social revelou que o lar em Garvão, “a funcionar ilegalmente”, foi encerrado no domingo e que os 33 idosos aí residentes (23 mulheres e 10 homens) foram retirados e encaminhados pelo Centro Distrital de Beja da Segurança Social para “respostas sociais condignas” (dois ficaram com familiares).

Fonte da Polícia Judiciária, que prossegue as investigações, disse, na passada segunda-feira, que o presumível agressor está “internado compulsivamente em psiquiatria”, por determinação do delegado de saúde.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Facebook/D.R.

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