De acordo com a PróToiro – Federação Portuguesa de Tauromaquia, o reconhecimento assenta em três fundamentos principais, começando pela valorização da criação do toiro bravo como uma “prática verde”, pois, ao contrário de modelos de pecuária intensiva, “o toiro bravo é criado em regime extensivo, o que implica a manutenção de vastas áreas de pastagem natural, contribuindo para a prevenção da degradação dos solos e para o sequestro de carbono”.
Outro dos aspectos destacados prende-se com a preservação do montado, ecossistema considerados únicos e protegidos à escala europeia. A PróToiro sustenta que, sem a exploração económica associada ao toiro bravo, “milhares de hectares de montado estariam em risco de abandono ou de conversão para monoculturas agrícolas”, sublinhando que o animal actua como um “guardião” da biodiversidade, coexistindo com múltiplas espécies de fauna e flora dependentes deste habitat gerido de forma sustentável.
Ainda segundo a mesma fonte, o sector está “alinhado” com os objectivos de desenvolvimento sustentável da ONU, nomeadamente no combate à desertificação rural e na promoção da economia circular em territórios do interior.
O Green Design International Award, atribuído pela World Green Design Organization, é um prémio internacional que distingue projectos e iniciativas com impacto comprovado na sustentabilidade ambiental, reconhecendo a sua relevância para a inovação ecológica e a protecção dos ecossistemas.
“Ao premiar este caso em Bruxelas, a WGDO reconhece que a tauromaquia oferece uma resposta concreta aos desafios actuais, nomeadamente na luta contra a desertificação rural e a promoção da economia circular no interior do território”, acrescenta.
“Provou-se que a ecologia está no ADN da festa brava, transformando o toiro de lide num símbolo global de conservação da natureza”, diz Francisco Macedo, presidente da PróToiro, acrescentou que“este prémio” é também o resultado de uma estratégia de comunicação institucional que procura traduzir uma tradição secular para uma linguagem técnica e moderna”.
O mesmo responsável defende que, ao focar-se no “benefício do ecossistema e promoção da biodiversidade”, a PróToiro “conseguiu furar o bloqueio ideológico e ser avaliada por critérios de mérito ambiental e científico”.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Ganadaria Murteira Grave/D.R.












