“É importante esclarecer e justificar as motivações desta revisão das dotações do Alentejo 2030”, defende, em comunicado, a Federação do PS do Baixo Alentejo, presidida por Nelson Brito.
Esta estrutura federativa lembra que da revisão resultou “a subtração de 60 milhões de euros a uma verba total de 80 milhões que foi alocada no programa Alentejo 2030 para a eletrificação da linha ferroviária do Alentejo, no troço entre Beja e Casa Branca, pelo Governo do PS”.
O PS acusa o Governo da AD (PSD/CDS-PP) de continuar “empenhado em travar ou em adiar a execução de projetos fundamentais para o desenvolvimento do Alentejo”.
Para os socialistas, “o modus operandi utilizado no caso da ampliação do Hospital de Beja volta a repetir-se no financiamento do projeto estratégico de modernização/eletrificação da linha ferroviária do Alentejo”.
“Da noite para o dia e no silêncio dos gabinetes fazem-se desaparecer milhões de euros destinados à sua execução”, acusa o PS, exigindo que o Governo, “por intermédio do seu ministro das Infraestruturas [Miguel Pinto Luz] – e sem recurso ao habitual barulho causado pelo seu testa de ferro na região e deputado eleito – clarifique todo o processo de revisão das dotações financeiras do programa Alentejo 2030 ordenado pelo ministro da Economia e Coesão Territorial”, Manuel Castro Almeida.
Além de exigir “cabais explicações para esta decisão”, o PS do Baixo Alentejo manifesta igualmente “o seu receio de que esta medida constitua uma clara intenção do Governo e das forças políticas que o suportam em se imiscuir no processo eleitoral interno que deverá ocorrer brevemente na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo”.
Por isso, concluiu, “este é o momento de clarificar a confusão montada pelo Governo da AD relativamente ao financiamento desta obra crucial para o crescimento económico de toda a região”.
A decisão da revisão da dotação financeira do projeto de modernização, requalificação e eletrificação da linha ferroviária entre Casa Branca e Beja foi comunicada, no dia 02 de dezembro, durante uma reunião em Évora, entre a comissão diretiva do Alentejo 2030, a empresa Infraestruturas de Portugal (IP) e a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Baixo Alentejo .
Mais tarde, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, António Ceia da Silva, explicou que o programa “não podia manter a verba” inicialmente prevista de 80 milhões alocada ao projeto porque a obra “não era exequível nem era fazível” no atual quadro comunitário de apoio, que termina no final de 2027.
Conforme noticiado pela Alentejo Ilustrado, o grupo parlamentar do PSD apresentou um requerimento sobre o assunto, a pedir as audições no parlamento do presidente da CCDR do Alentejo, António Ceia da Silva, do presidente executivo da IP, Miguel Cruz, e do secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, na Comissão de Infraestruturas, Habitação e Mobilidade.
Ler mais: Deputados chamam Ceia da Silva à AR para explicar corte de 60 milhões na ferrovia
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Arquivo/D.R.











