O documento descreve um estado de degradação que se arrasta há décadas e que, no entender dos socialistas, constitui «uma emergência patrimonial a que importa dar resposta, encontrando, numa cooperação institucional de conjunto, uma solução que devolva dignidade ao monumento e ponha fim a um estado de degradação que envergonha a todos».
O monumento foi identificado a 27 de março de 1964 pelo arqueólogo Henrique Leonor Pina, conduzido ao local por um guarda da Mitra, António Rebocho. A escavação decorreu entre 1965 e 1969, durante três semanas por ano, aproveitando o período de férias do arqueólogo, que era também professor do ensino primário.
O projeto de resolução sintetiza os problemas que afetam o monumento: a alteração e degradação dos elementos que o constituem, a erosão acentuada dos taludes da mamoa devido a fatores climatéricos e à incursão descontrolada de visitantes, e a «gravíssima situação de estabilidade estrutural, particularmente na zona de articulação do corredor com a câmara».
As várias vistorias realizadas ao longo dos anos demonstraram, segundo os deputados, a necessidade urgente de uma intervenção que garanta a estabilidade estrutural e estanque, ou pelo menos reduza, o destacamento de fragmentos pétreos.
O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) tem vindo a acompanha a evolução do estado de conservação, e o último relatório, enviado ao então IPPAR a 1 de março de 2006, concluía que o monumento chegava aos nossos dias «em situação mais grave do que a verificada aquando das primeiras avaliações».
O documento recomenda ao Governo seis medidas concretas, incluindo a atualização prioritária do diagnóstico técnico em articulação com o LNEC, a elaboração de um plano de intervenção faseado com medidas de consolidação estrutural e controlo da erosão e a criação de um modelo de gestão sustentável integrando investigação científica, mediação cultural e turismo.
É igualmente recomendado o estudo das condições para a aquisição pública do monumento e da área envolvente, que os proponentes consideram «muito provavelmente a via mais apropriada, pela necessidade de garantir uma tutela coerente e continuada», bem como a integração explícita da Anta Grande do Zambujeiro nas estratégias associadas a Évora 2027 — Capital Europeia da Cultura, e a criação de mecanismos de acompanhamento e monitorização regulares com apresentação pública periódica de resultados.
Os deputados socialistas invocam o exemplo de Stonehenge, no Reino Unido, que recebe anualmente cerca de dois milhões de visitantes com bilhetes pagos, como modelo de sustentabilidade económica e sociocultural, sublinhando que a Anta Grande do Zambujeiro «possui um potencial singular para se tornar um espaço de transmissão de conhecimento e de fruição patrimonial, centrado na interpretação da paisagem arqueológica envolvente».
O monumento insere-se numa região que concentra a maior densidade de sítios arqueológicos em Portugal e um dos mais ricos conjuntos de sítios pré-históricos da Europa, incluindo a Gruta do Escoural e o Cromeleque dos Almendres.












