A distrital de Beja do PSD rejeitou as críticas do PS de partidarização da inauguração do Palácio da Justiça da cidade e acusou a federação socialista do Baixo Alentejo de «desnorte» e de «brincar à política».
A distrital social-democrata argumentou que a Federação do Baixo Alentejo do PS «continua em completo desnorte e de cabeça completamente perdida» por Beja ser «uma prioridade para este Governo, contrariamente àquilo que aconteceu nos últimos governos socialistas».
O deputado do PSD eleito por Beja e presidente desta distrital social-democrata, Gonçalo Valente, considerou que o PS, ao fazer da inauguração do Palácio da Justiça de Beja «um caso», é porque «não tem mesmo nada para fazer ou não sabe mesmo fazer».
«Continuem lá a brincar à política que nós vamos continuando a transformar e a impulsionar a nossa região», ironizou.
O novo Palácio da Justiça da capital do Baixo Alentejo, num investimento superior a 5,7 milhões de euros, foi inaugurado na terça-feira, 15 de setembro, tendo a cerimónia sido presidida pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
A cerimónia contou igualmente com a ministra da Justiça, Rita Júdice, e com o procurador-geral da República, Amadeu Guerra, assim como com outros representantes e convidados.
A Federação do Baixo Alentejo do PS tinha considerado que «uma inauguração de um equipamento público não pode ser tratada como um evento partidário», pelo que a ausência de representantes socialistas foi «inaceitável».
A estrutura socialista argumentou que o Governo convidou para a sessão «apenas representantes do PSD», como o deputado Gonçalo Valente e presidentes de câmara do partido na região.
Dessa forma, continuaram os socialistas, «os deputados eleitos pelo PS e pelo Chega [neste círculo eleitoral], bem como os autarcas do PS e da CDU», foram deixados «de fora».
Na resposta, o presidente da distrital de Beja do PSD afirmou, com ironia, que até pode «entender que a federação socialista não saiba muito bem como funcionam as deslocações dos membros do Governo a um círculo eleitoral».
«É que as vezes que vinham cá membros do Governo socialista eram tão raras que nem deu para aprenderem como funcionam estas iniciativas», disse.
O deputado social-democrata esclareceu não ter recebido qualquer «convite formal» para a inauguração, tal como nunca recebe «para estar presente em visitas de membros do Governo ao distrito de Beja».
«Há uma agenda nacional pública referente aos membros do Governo à qual todos os deputados da Assembleia da República têm acesso e, portanto, só não vão se não quiserem», vincou.
Sobre as críticas socialistas de partidarização e de este Governo do PSD/CDS-PP pretender «reescrever a história como se estivesse a apropriar-se de uma obra do PS», Gonçalo Valente explicou que o executivo convidou para a cerimónia Catarina Sarmento e Castro e Francisca Van Dunem, «as duas ministras da Justiça dos governos socialistas».
Na sua intervenção na cerimónia de inauguração, a ministra da Justiça, Rita Júdice, lembrou, precisamente, que «a história» do Palácio da Justiça de Beja «começou há 10 anos» e saudou Francisca Van Dunem, que esteve presente, e Catarina Sarmento e Castro, referindo a ausência desta «por motivos pessoais».
«Três ministras estão ligadas a este projeto, mas, no final, o que fica é uma obra. Uma só obra. É um sinal de que o interesse do Estado é superior aos ciclos políticos. E o que está bem deve continuar, o que está por fazer deve ser feito», afirmou a ministra, na ocasião.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa










