Qantara Capital anuncia parque logístico de 468 milhões em Grândola

A empresa suíça Qantara Capital anunciou a construção do Grândola Logistics Park Euro-Atlantic, um parque logístico de 1,3 milhões de metros quadrados junto ao IC1, em Grândola, com ligação direta ao Porto de Sines e à Linha Ferroviária do Sul. O investimento será na ordem dos 468 milhões de euros.

A Qantara Capital apresenta o parque logístico como «o novo portal de ligação para o corredor de comércio e dados Euro-Atlântico», sublinhando que o empreendimento «assume uma relevância estratégica pela sua posição geográfica», ao garantir «o acesso direto a rotas comerciais marítimas e a Sines», funcionando «como uma porta de entrada para o mercado europeu».

A promotora refere ainda que o futuro Grândola Logistics Park Euro-Atlantic «responde à escassez de terrenos logísticos de grande escala em Portugal através de um modelo focado na sustentabilidade ambiental e na multimodalidade».

Segundo a Qantara Capital, a localização do parque «garante ligação direta ao IC1 e à Linha Ferroviária do Sul, situando-se a apenas oito quilómetros da autoestrada A2». Esta conectividade multimodal coloca o complexo a 50 quilómetros do Porto de Sines, a 64 de Setúbal e a 100 de Lisboa.

A promotora acrescenta que a infraestrutura «disponibilizará uma área total de terreno de 1,3 milhões de metros quadrados, com 635 mil metros quadrados de construção e um terminal ferroviário de mercadorias com um parque de contentores de 23 mil metros quadrados».

Trata-se de «uma plataforma estratégica de escala ibérica que responde de forma direta à escassez de grandes espaços logísticos em Portugal, um fator crítico para a competitividade do país», afirma Hadrien Fraissinet, presidente executivo da Qantara Capital, empresa de investimentos com sede na Suiça e focada nos setores imobiliário e de recursos naturais.

«Ao ligarmos esta infraestrutura multimodal ao Porto de Sines e às principais redes de transporte europeias, estamos a abrir uma porta de entrada fulcral para o comércio internacional e a reforçar o posicionamento de Portugal nas cadeias de abastecimento globais», acrescenta.

A promotora sublinha que, com este empreendimento, «Grândola segue o exemplo de municípios como Sines e Benavente, que potenciaram o seu território para impulsionar o desenvolvimento económico nacional», acrescentando que «o impacto financeiro do projeto contribuirá para fortalecer e diversificar a economia local, reduzindo a dependência do turismo e da agricultura, e gerará receitas contínuas para o município e para a região».

Segundo a Qantara Capital, «Grândola irá beneficiar diretamente com a construção desta infraestrutura, uma vez que o Plano de Pormenor do projeto prevê uma zona de uso misto para comércio local, como cafés, restaurantes e lojas, serviços como creches e espaços de trabalho partilhado», além da cedência de terrenos para áreas de lazer e desporto, «tudo acessível ao público».

Está também prevista, refere a promotora, a doação de um edifício para a instalação de serviços municipais ou sociais, como a Proteção Civil e os Bombeiros locais.

«O nosso compromisso prioritário é com o futuro de Grândola e com a criação de oportunidades reais para quem aqui vive», assegura David Claudino, diretor executivo do parque logístico, sublinhando que esse compromisso se traduz «na fixação da população jovem através de emprego qualificado e estável, e na devolução de valor direto à comunidade, não só do ponto de vista financeiro, mas também sob a forma de novas infraestruturas públicas, de desporto e de apoio social».

Segundo a promotora, «o parque foi dimensionado para acolher cerca de mil utilizadores diários, gerando emprego de forma gradual e prioritariamente local», apoiando-se a procura de mão-de-obra «num universo de 33 mil profissionais ativos num raio de 30 minutos de deslocação».

No plano ambiental, a Qantara Capital refere que «o projeto exige certificação de construção sustentável para todos os edifícios, e irá maximizar a utilização de energia renovável através de painéis solares nas coberturas dos edifícios e no parque de estacionamento».

O processo de licenciamento registou, segundo a promotora, «um avanço decisivo com a conclusão da consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental», terminada a 2 de julho. A empresa prevê iniciar as obras de infraestruturas «imediatamente após a emissão da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) e das licenças definitivas», decorrentes da aprovação do plano de pormenor por parte do Município.

3 Responses

  1. O investimento é muito bem vindo. Só espero que o inevitável reforço da ligação ferroviária a Sines seja feito pelas Ermidas, e não venham outra vez com a ideia peregrina de rasgar o litoral de Santiago e Grândola com uma nova ferrovia, de modo a preservar as valências ambientais, valorizar o ordenamento do território, e não matar o interesse turístico da costa.

  2. Só espero que esta linda conversa não seja mais um grande negócio para a habitual meia dúzia, em prejuízo da população que aí mora desde sempre ou da que investiu no turismo sustentável nos últimos 20 anos, quando acreditou que a ideia assassina de um TGV a destruir o concelho estava afastada.

  3. Tal como Sines , tanto investimento , tantos postos de trabalho e HABITAÇÃO ? onde estão os projetos ?

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