Quercus acusa Governo de má gestão da água na albufeira de Alqueva

A associação ambientalista Quercus acusa o Governo de “má gestão” da albufeira de Alqueva, defendendo que o aumento de água disponibilizada para regadio coloca em causa as necessidades de consumo humano e industrial, sobretudo em cenários futuros de seca severa.

“O Ministério da Agricultura e Mar cedeu, uma vez mais, às pretensões do regadio intensivo ao premiar a expansão sem regras do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA) com um aumento do volume de água disponível para esta atividade”, critica a Quercus.

Assinalando que o “regadio vai ter mais 100 milhões de metros cúbicos por ano”, os ambientalistas defendem que o Ministério liderado por José Manuel Fernandes desvaloriza “as necessidades de água para consumo urbano e indústria, matéria da exclusiva responsabilidade do Ministério do Ambiente e Energia”.

De acordo com a presidente da Quercus, Alexandra Azevedo, o aumento das captações de água e a expansão territorial do regadio colocarão “em causa o abastecimento para consumo humano, principalmente em futuras situações de seca severa, fenómeno cada vez mais registado em Portugal”.

A associação sublinha que o Governo decidiu, através de despacho interministerial, aumentar o volume anual de água a extrair de Alqueva em 110 milhões de metros cúbicos, mas, destes, “100 milhões serão destinados ao regadio e apenas 10 milhões para consumo urbano e industrial”.

“Isto” – garante – “ignora a Lei da Água, que define como prioridade a água para consumo humano, essencial para a fixação de pessoas nestes territórios”.

A Quercus refere que, atualmente, “95% da água captada no EFMA é para a atividade económica de privados, principalmente para a expansão do regadio”, com uma estratégia “focada na exportação ao invés do autoconsumo” no mercado nacional.

Esta situação causa “prejuízo e morte anunciada dos terrenos e transformação destrutiva da paisagem, património que urge ser salvaguardado e que faz parte da nossa identidade nacional e regional, demonstrando que a prioridade é o lucro e não o desenvolvimento sustentável”.

Os ambientalistas questionam ainda se as decisões de distribuição de água de Alqueva não deveriam ser alvo de estudos de impacte ambiental, económico-financeiros e das necessidades para consumo humano e desenvolvimento da indústria na região.

“O preço da água não deveria ter em consideração fatores como o destino da produção (exportação ou consumo interno), a sustentabilidade ambiental das culturas e a abundância ou escassez do recurso hídrico?” interrogam.

Aludindo à estratégia “Água que Une”, apresentada pelo Governo, a Quercus reafirma que “a água só une quando ninguém a quiser capturar para fins que visam apenas e só o lucro de alguns e a desgraça de muitos, porque quem devia não defendeu o interesse público e do desenvolvimento sustentável”.

Recorde-se que a associação ambientalista Zero também criticou esta decisão do Governo, acusando-o de acabar “com a resiliência de Alqueva como reserva estratégica de água” e premiar “a má gestão do regadio”.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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