Em comunicado, o Núcleo Regional de Portalegre da Quercus expressa a sua solidariedade para com todas as vítimas das tempestades, assinalando que “é importante” que o município tenha solicitado uma peritagem ao sucedido.
Ainda sem acesso aos dados preliminares da peritagem, que segundo o município deverá ocorrer na próxima semana, a Quercus apoia-se na documentação citada pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), que refere que Portalegre sofreu um fluxo de detritos.
De acordo com a Quercus, os fatores “mais evidentes” para a ocorrência foram o declive existente na zona afetada e a chuva intensa, ainda que “outros fatores” resultantes da ação humana, como a destruição da cobertura vegetal e a remoção de terrenos, estradas, construção e agricultura, possam ter contribuído para agravar o problema.
“É necessário com fundamentação na ciência tirar as devidas ilações. Para a zona afetada, poderão ser indicadas algumas medidas de estabilização, como uma cobertura vegetal e muros de suporte e canais de drenagem”, defendem os ambientalistas.
A Quercus de Portalegre recorda ainda que a versão preliminar do Plano Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas de Portalegre, que esteve em discussão pública em 2024, indicava os “principais impactos negativos” para a região.
De acordo com a associação, que também apela às autoridades para que seja aprovado o referido plano, “dando cumprimento” à Lei do Clima, todos os cenários analisados apontam para “um aumento provável dos períodos de precipitação intensa [menores períodos de precipitação, mas com maior intensidade]”.
Ainda no campo dos impactos negativos, a Quercus aponta os condicionamentos de tráfego/encerramento de vias, danos em edifícios e infraestruturas, abatimento/rotura de pavimentos, deslizamento de terras, acidente de viação ou inundações em estabelecimentos, habitações e estradas, entre outros.
“Alguns desses impactos verificaram-se no passado dia 05 de fevereiro”. Para a Quercus é “necessário ter isso em conta” e “seguir as indicações” constantes do Plano Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas de Portalegre.
A enxurrada de água, lama e pedras ocorrida no dia 05 foi oriunda da Serra de São Mamede e abrangeu três avenidas da cidade, provocando danos em pelo menos 10 casas, em caves (número por apurar) e em 52 carros, além de ter causado três desalojados.
.Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.












