Quercus pede fiscalização «a sério» do acesso às praias de Grândola

A associação ambientalista Quercus acusou a ministra do Ambiente e Energia e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de «atirarem areia para os olhos dos portugueses» sobre a fiscalização do acesso público às praias do concelho de Grândola, na sequência de uma reportagem de investigação emitida pelo canal televisivo NOW sobre o resort de luxo Costa Terra, em Melides.

Segundo a Quercus, contrariamente ao que foi afirmado pela ministra à comunicação social há menos de um mês, os acessos às praias do concelho não estão «todos repostos», nem está assegurada a ausência de barreiras físicas, «como ficou patente» na reportagem, que incide em particular sobre as dificuldades de acesso às praias da Galé-Fontainhas e da Aberta Nova.

«A força do grande capital é o que continua a comandar as políticas de ordenamento do território em Portugal», afirma a associação, acrescentando que esse poder se sobrepõe «ao cumprimento da lei», dando um estatuto especial a promotores imobiliários internacionais que, «aos poucos», alastram o seu domínio naquele troço da orla costeira.

Para a Quercus, é «inadmissível» que os cidadãos continuem a ser confrontados com medidas dissuasoras de acesso a um património natural comum e não privatizável em Portugal — as praias. A associação enumera como exemplos «a instalação de torniquetes, vedações ou cancelas, o registo de identidade e a presença de seguranças privados», que classifica como barreiras físicas — algumas delas em vias públicas — e como «uma estratégia de intimidação e uma forma de privatização indireta», destinada a dificultar o acesso público ao areal.

«Não basta colocar placas a indicar que o acesso às praias é público», sublinha a Quercus, defendendo que é preciso garantir que esse acesso não é dificultado pelos «interesses superiores de exclusividade e privacidade de clientes de luxo».

A associação insta as entidades competentes — nomeadamente o Ministério do Ambiente e Energia, a APA e a Câmara Municipal de Grândola — a «terem a coragem» de efetuar uma fiscalização que não seja «apenas para a fotografia», aplicando as contraordenações devidas a quem não cumpre a lei.

Segundo a Quercus, este caso deve servir de «exemplo a não seguir» no licenciamento de futuros empreendimentos turísticos nesta e noutras zonas do país, devendo a ausência de vedações e de dificuldades no acesso público às praias passar a ser «condição não negociável».

A associação lamenta ainda a «elevada fatura ambiental» que este tipo de empreendimentos, que classifica de «megalómanos», representa para o país, apontando o agravamento da escassez hídrica, a destruição de cordões dunares, o desrespeito pelos planos de ordenamento da orla costeira devido à proximidade de campos de golfe e construções ao litoral, e a destruição de ecossistemas sensíveis de fauna e flora locais.

5 Responses

  1. Ontem estive na praia Galé Tróia.

    No parque de estacionamento há 60 lugares públicos.

    Pq não procedimentos idênticos noutras praias de Grândola?

  2. É inadmissível o que está a acontecer. É um Se as autoridades públicas fecharem os olhos a esta selvajaria, será o caos. Quem cala consente, e a seguir virão outros usurpadores e outros e outros. Portugal, concretamente os bons costumes portugueses estão a ser abalados, por gente cujo objectivo e interesse é puramente financeiro, egoísta e anti-social.

  3. Quercus pede fiscalização «a sério» do acesso às praias de Grândola
    A associação ambientalista Quercus acusou a ministra do Ambiente e Energia e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de «atirarem areia para os olhos dos portugueses» sobre a fiscalização do acesso público às praias do concelho de Grândola, na sequência de uma reportagem de investigação emitida pelo canal televisivo NOW sobre o resort de luxo Costa Terra, em Melides.

    Segundo a Quercus, contrariamente ao que foi afirmado pela ministra à comunicação social há menos de um mês, os acessos às praias do concelho não estão «todos repostos», nem está assegurada a ausência de barreiras físicas, «como ficou patente» na reportagem, que incide em particular sobre as dificuldades de acesso às praias da Galé-Fontainhas e da Aberta Nova.

    «A força do grande capital é o que continua a comandar as políticas de ordenamento do território em Portugal», afirma a associação, acrescentando que esse poder se sobrepõe «ao cumprimento da lei», dando um estatuto especial a promotores imobiliários internacionais que, «aos poucos», alastram o seu domínio naquele troço da orla costeira.

    Para a Quercus, é «inadmissível» que os cidadãos continuem a ser confrontados com medidas dissuasoras de acesso a um património natural comum e não privatizável em Portugal — as praias. A associação enumera como exemplos «a instalação de torniquetes, vedações ou cancelas, o registo de identidade e a presença de seguranças privados», que classifica como barreiras físicas — algumas delas em vias públicas — e como «uma estratégia de intimidação e uma forma de privatização indireta», destinada a dificultar o acesso público ao areal.

    «Não basta colocar placas a indicar que o acesso às praias é público», sublinha a Quercus, defendendo que é preciso garantir que esse acesso não é dificultado pelos «interesses superiores de exclusividade e privacidade de clientes de luxo».

    A associação insta as entidades competentes — nomeadamente o Ministério do Ambiente e Energia, a APA e a Câmara Municipal de Grândola — a «terem a coragem» de efetuar uma fiscalização que não seja «apenas para a fotografia», aplicando as contraordenações devidas a quem não cumpre a lei.

    Segundo a Quercus, este caso deve servir de «exemplo a não seguir» no licenciamento de futuros empreendimentos turísticos nesta e noutras zonas do país, devendo a ausência de vedações e de dificuldades no acesso público às praias passar a ser «condição não negociável».

    A associação lamenta ainda a «elevada fatura ambiental» que este tipo de empreendimentos, que classifica de «megalómanos», representa para o país, apontando o agravamento da escassez hídrica, a destruição de cordões dunares, o desrespeito pelos planos de ordenamento da orla costeira devido à proximidade de campos de golfe e construções ao litoral, e a destruição de ecossistemas sensíveis de fauna e flora locais.

    13 de Agosto de 2026
    2 Responses
    Maria Reis diz:
    13-08-2026 às 16:16
    Ontem estive na praia Galé Tróia.

    No parque de estacionamento há 60 lugares públicos.

    Pq não procedimentos idênticos noutras praias de Grândola?

    Responder
    José Francisco Oliveira Carneiro diz:
    14-08-2026 às 09:40
    É inadmissível o que está a acontecer. É um Se as autoridades públicas fecharem os olhos a esta selvajaria, será o caos. Quem cala consente, e a seguir virão outros usurpadores e outros e outros. Portugal, concretamente os bons costumes portugueses estão a ser abalados, por gente cujo objectivo e interesse é puramente financeiro, egoísta e anti-social.

  4. Portugal está a ser saqueado pelo grande capital.A orla marítima, e as grandes cidades.O governo, é forte com os fracos e mole com os fortes. Portugal está anestesiado.Acorda Portugal!!!

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