“O que tínhamos até agora era um regime virtuoso, mas excecional, que permitiu fazer investigação, estudo, criar a rede, identificar e, sobretudo, sistematizar os saberes tradicionais” existentes pelo país, disse o secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, argumentando que “alguns deles corriam o risco de desaparecer com o tempo”.
Em declarações aos jornalistas, em Évora, o governante realçou que, “agora, a ideia é transformar essa política excecional numa política mais estruturada, em algo de continuidade”.
Nesse âmbito, decorrente dos investimentos do PRR, “o Governo decidiu que este será, certamente, um dos poucos que vai ter essa continuidade, pelo reconhecimento que [se quer] fazer ao saber fazer, às tradições, ao conhecimento ancestral e àquilo que ainda está a tempo de poder manter-se para o futuro”.
Após participar na sessão de abertura do primeiro Encontro da Rede Portuguesa Saber Fazer, que está a decorrer no Convento de São Bento de Cástris, em Évora, até dia 27, o secretário de Estado explicou que o programa governamental Saber Fazer transforma-se naquela rede formal, com apoio do Orçamento do Estado (OE), interligando também o tradicional com a inovação e o contemporâneo.
Questionado sobre se o OE para 2026 (OE2026), já aprovado na generalidade no parlamento, poderá incluir alguma verba para esta rede, Alberto Santos confirmou, mas escusou-se a precisar o montante, afirmando apenas tratar-se de “algumas centenas de milhares de euros previstas para este projeto” da Direção-Geral das Artes (DGArtes).
“Este primeiro encontro da rede será também determinante para nós percebermos a pujança, a mobilização da comunidade, a mobilização daqueles que fazem parte e que querem fazer parte da rede, as ideias que nos trazem para servirem também de desafio para aquilo que é o nosso futuro”, acrescentou.
No discurso, o secretário de Estado tinha já elogiado o programa Saber Fazer, criado em 2020 e desenvolvido pela DGArtes, com financiamento do PRR até final deste ano, para “construir uma política pública estruturada para as artes e ofícios tradicionais”.
No âmbito da iniciativa, vencedora do prémio Europa Nostra 2025 na categoria Educação, Formação e Competências, estão identificados “mais de 1.000 artesãos, 1.510 pontos de interesse em todo o território, através de um repositório digital único no país”, destacou Alberto Santos.
“Reúne mais de 15 mil fotografias que documentam técnicas, matérias-primas e ferramentas de trabalho, preservando o conhecimento que desapareceria sem este esforço”, apontou.
Foram ainda criadas 17 rotas de saber fazer, “que aproximam o turismo cultural das comunidades artesanais”, realizadas mais de 100 oficinas e capacitados mais de 1.400 participantes, ilustrou o governante, aludindo ainda à implementação de “oito laboratórios de intervenção territorial” e à conquista do prémio Europa Nostra 2025.
Texto:Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.











