No inventário destaca-se a paisagem pré-histórica do concelho, onde há cerca de 5 mil anos foram erguidos mais de uma centena de monumentos megalíticos, entre os quais «atuais sítios de referência internacional, como o Complexo Arqueológico dos Perdigões», refere a autarquia.
O município considera que o número de sítios faz de Reguengos de Monsaraz «um território de excecional riqueza e densidade patrimonial e um dos mais intensamente estudados pela arqueologia portuguesa». Para elaborar a carta foram revistas mais de 4.500 entradas arqueológicas de diferentes inventários. Houve ainda 80 dias de trabalho de campo, com mais de 1.500 quilómetros percorridos a pé pelo concelho, e mais de 300 horas de tratamento de informação.
Segundo a câmara, a publicação é «um instrumento essencial de trabalho e de gestão do território». A carta permite integrar «informação arqueológica rigorosa e georreferenciada» no Plano Diretor Municipal e «apoiar a salvaguarda do património perante futuras intervenções no território, como o circuito hidráulico de Reguengos de Monsaraz».
A autarquia acrescenta que se trata de «um documento técnico em contínua construção, um repositório de décadas de investigação e um meio de aproximar o passado arqueológico de todos os reguenguenses».
O livro «Carta Arqueológica de Reguengos de Monsaraz – De Tempore Antico», editado pelas Edições Colibri e pelo município, resulta da investigação de dois arqueólogos. Rui Mataloto é arqueólogo da Câmara Municipal de Redondo e autor de diversos trabalhos sobre o território alentejano entre o Neolítico e o final da Época Romana.
André Pereira é gestor de ciência no Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa e faz trabalho de campo em arqueologia desde 2003, sobretudo prospeções no âmbito da minimização de impactes ambientais. O título recupera a expressão de tempore antico, usada no Foral de Monsaraz de 1276.
A apresentação está marcada para as 10h00, no salão nobre dos Paços do Concelho de Reguengos de Monsaraz. A sessão integra as Jornadas Europeias do Património, organizadas pelo Conselho da Europa e pela Comissão Europeia, que se prolongam até dia 27.










