Partindo do arquivo dos investigadores alemães Georg e Vera Leisner, a exposição mostra os primórdios da arqueologia no concelho e destaca «a relevância que este casal de arqueólogos teve no estudo do património megalítico do Alentejo durante a primeira metade do século XX». Pode ser visitada até ao próximo dia 2 de maio, no auditório António Marcelino da Biblioteca Municipal de Reguengos de Monsaraz.
Segundo a autarquia, «mais do que um conjunto de documentos e fotografias, o Arquivo Leisner constitui um testemunho único de um olhar pioneiro sobre a paisagem arqueológica da região», pois, através do seu trabalho sistemático, «foram fixados no tempo monumentos, contextos e interpretações que continuam a ser essenciais para o conhecimento atual da história» do concelho.
«O percurso expositivo — acrescenta — constrói-se a partir de registos fotográficos, explorando não só o processo de registo e interpretação desenvolvido pelos Leisner, mas também a relação estabelecida com os entusiastas locais, evidenciando como estas dinâmicas contribuíram para moldar o presente e o futuro da arqueologia reguenguense».
O casal de arqueólogos alemães Georg Leisner e Vera Leisner desempenhou um papel determinante no estudo do megalitismo da Península Ibérica, em particular no Alentejo. Entre as décadas de 1930 e 1960, desenvolveram um trabalho sistemático de levantamento, registo e interpretação de monumentos megalíticos — como antas e cromeleques — numa época em que a arqueologia portuguesa ainda dava os primeiros passos enquanto disciplina científica estruturada.
A sua investigação assentou numa metodologia rigorosa, com documentação fotográfica, desenho técnico e inventariação detalhada, permitindo fixar informação essencial sobre numerosos sítios arqueológicos entretanto degradados ou desaparecidos.
A importância do seu contributo mantém-se até hoje, sendo as suas obras de referência — como o inventário dos monumentos megalíticos do sul de Portugal — fundamentais para o conhecimento da pré-história recente da região. No Alentejo, os Leisner ajudaram a afirmar a relevância internacional deste território enquanto uma das principais áreas de concentração de megalitismo na Europa, influenciando gerações posteriores de investigadores e projetos arqueológicos.
O seu arquivo, que integra milhares de fotografias, desenhos e notas de campo, constitui ainda uma fonte indispensável para a investigação contemporânea, permitindo revisitar contextos e interpretações à luz de novas abordagens científicas.
Na exposição agora patente podem também ser vistas placas de xisto gravadas, típicas dos contextos funerários megalíticos de Reguengos de Monsaraz, que pertenceram à coleção de Pires Gonçalves, «aproximando-nos do universo simbólico e religioso das comunidades pré-históricas que povoaram a região durante milénios».




Ainda de acordo com a autarquia, a exposição «abre caminho à descoberta da riqueza arqueológica do território, materializada em produções bibliográficas, onde a presença humana se manifesta de forma contínua ao longo de milénios», afirmando o concelho «como um verdadeiro paraíso megalítico».
A mostra assinala também o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que se celebra a 18 de abril, estando para esse dia agendada a projeção do documentário “Paisagem Ancestral: Recintos Cerimoniais de Terras do Guadiana”, da ERA Arqueologia, que parte do Complexo Arqueológico dos Perdigões para uma viagem por outros recintos de fossos cerimoniais e de agregação comunitária constituídos durante o Neolítico e a Idade do Cobre.
«Ao cruzar o passado da investigação com o conhecimento atual, esta mostra propõe uma reflexão sobre o papel da arqueologia na valorização do património e na construção da identidade coletiva», prossegue a Câmara de Reguengos, destacando o Arquivo Leisner «como ponto de partida para compreender o que já foi estudado, mas também o que permanece ainda por revelar».
Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografias: D.R.














