Reitor quer «reforçar presença» da Universidade de Évora no Alentejo Litoral

A Universidade de Évora (UE) pretende reforçar a sua presença no Alentejo Litoral, aproveitando a crescente afirmação de Sines e Santiago do Cacém como polos ligados ao mar e à economia azul.

«A Universidade de Évora pretende afirmar-se como um parceiro estratégico deste processo, colocando o conhecimento científico ao serviço das empresas, dos municípios, das instituições e da sociedade», afirmou o reitor da UE, António Candeias, no workshop «Alentejo e o Oceano – Desafios e oportunidades para a região no litoral do continente europeu», realizado esta quarta-feira.


«A crescente afirmação de Sines e Santiago do Cacém como polos ligados ao mar e à economia azul representa uma oportunidade para reforçar a presença da Universidade no território», sublinhou.

O encontro reuniu especialistas nacionais e internacionais para refletir sobre os desafios que o oceano enfrenta, o contributo da investigação científica para a sua preservação e as oportunidades que o mar representa para o desenvolvimento sustentável e a competitividade do país.

Na sua intervenção, o reitor começou por desafiar a ideia de que uma universidade do interior não deva assumir o oceano como uma das suas prioridades. «À primeira vista, poderá parecer paradoxal que uma universidade sediada no interior do país coloque o oceano entre as suas áreas estratégicas de desenvolvimento. Mas os paradoxos, por vezes, escondem as maiores evidências», afirmou.

António Candeias lembrou depois que, apesar de estar sediada em Évora, «o oceano nunca esteve verdadeiramente distante da identidade nem da ambição» da Universidade, recordando a proximidade do litoral alentejano e a ligação histórica da UE às ciências marinhas.

A este propósito destacou o percurso do Laboratório de Ciências do Mar (Ciemar), criado em 1990, como unidade de investigação, ensino e prestação de serviços dedicada ao conhecimento do ambiente marinho e à utilização sustentável dos seus recursos, particularmente na costa alentejana.

E salientou ainda que o Laboratório foi «o embrião da participação da UE no MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente», desempenhando desde então um papel relevante no apoio científico e logístico a cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento, bem como em ações de divulgação científica dirigidas às comunidades locais.

Durante a sessão, António Candeias anunciou que está concluído o projeto da futura sede do Ciemar, num investimento superior a três milhões de euros. «Pretendemos que este novo espaço reforce a investigação multidisciplinar, fomente a inovação e contribua para o aparecimento de novas atividades económicas de elevado valor acrescentado para a região», sublinhou.

«Para concretizar esta visão, continuaremos a investir de forma inequívoca na formação em Ciências e Tecnologias do Mar», afiançou António Candeias, tendo destacado no domínio da formação o lançamento da licenciatura em Estudos do Mar, iniciada no ano letivo de 2025/2026, desenvolvida em parceria com a Universidade Nova de Lisboa e com a Universidade do Algarve.

Outra aposta são os mestrados em Gestão e Conservação de Recursos Naturais e em Engenharia e Gestão da Aquacultura, bem como a proposta de doutoramento em Ciências e Tecnologias do Meio Aquático, atualmente em avaliação, que pretende reforçar a formação avançada nesta área em colaboração com outras instituições de ensino superior.

A intervenção abordou igualmente o contributo da Universidade de Évora para a afirmação internacional de Portugal no domínio do oceano. O reitor recordou a participação da instituição na preparação da proposta portuguesa de extensão da plataforma continental e o apoio prestado junto da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos.

«O território marítimo, sob jurisdição nacional, representa uma das maiores responsabilidades e, simultaneamente, uma das maiores oportunidades estratégicas do país. É um património que importa conhecer melhor, preservar com responsabilidade e valorizar de forma sustentável», apontou.

Na parte final da sua intervenção, António Candeias estabeleceu um paralelismo entre os desafios da investigação oceânica e a necessidade de aproximar o interior do litoral através do conhecimento. «Tal como o oceano nunca se deixou conquistar apenas pela proximidade geográfica, também a ligação entre o interior e o litoral se constrói pela ciência, pela colaboração e pela determinação», afirmou.

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