Reitor quer Universidade de Évora «capaz de acolher a diferença» do mundo

A Universidade de Évora abriu um Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM) para tratar da documentação dos mais de 630 estudantes internacionais, docentes e investigadores estrangeiros que integram a academia, com o objetivo de, a prazo, alargar o serviço à população migrante do concelho e da região.

O reitor da Universidade de Évora, António Candeias, defende que a abertura do gabinete representa «mais um passo na construção de uma instituição verdadeiramente aberta, internacional e inclusiva», numa academia onde 595 dos estudantes internacionais vêm de fora da União Europeia. «Somos uma academia com um universo multicultural com cerca de 80 nacionalidades diferentes», revela.

Para António Candeias, o CLAIM assume um papel central na integração de quem chega a um novo país, enquanto «ponto de proximidade, de orientação e de apoio».

O reitor lembra que a Universidade «não existe isolada da cidade nem do território onde está inserida» e adianta que a instituição quer trabalhar com a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), a Câmara de Évora e a Santa Casa da Misericórdia para reforçar os recursos humanos e a capacidade de resposta do serviço. «Seria uma forma muito concreta de colocar a capacidade das instituições ao serviço das pessoas e de construir uma resposta conjunta entre administração pública, universidade e poder local», sublinha.

«A internacionalização não se mede apenas pelo número de estudantes ou investigadores estrangeiros que conseguimos atrair. Mede-se também pela capacidade que temos de os fazer sentir parte da nossa comunidade», acrescenta António Candeias, defendendo uma universidade «aberta ao mundo, capaz de acolher a diferença». «Desejo que este CLAIM seja, acima de tudo, uma porta aberta».

Já o presidente do conselho diretivo da AIMA, Pedro Portugal Gaspar, indica qual vai ser a prioridade do gabinete: «O principal foco na Universidade vai ser, naturalmente, o apoio à regularização e à dinâmica documental dos estudantes, mas também dos investigadores e dos docentes estrangeiros».

Os CLAIM instalados no ensino superior, acrescenta, «podem contribuir para atrair professores e investigadores estrangeiros e reforçar a posição das instituições portuguesas no panorama internacional».

O responsável explica que a rede não obedece a um modelo único. «Há configurações diferentes consoante os desafios e os territórios onde os CLAIM se desenvolvem», aponta, referindo que uns asseguram a tramitação documental e outros se concentram na informação ou na integração social.

Existem cerca de 100 CLAIM municipais e aproximadamente 50 ligados a associações, estando a rede do ensino superior a aproximar-se da dezena. Em 2025, a AIMA emitiu cerca de meio milhão de títulos válidos e realizou mais de 600 mil atendimentos.

Instalado no edifício de Santo Agostinho, o gabinete é assegurado por funcionários da Universidade de Évora com formação no software da AIMA, o que permite instruir os processos dentro da academia, cabendo a validação final à agência. Abrange pedidos de autorização de residência, prorrogação de vistos de estada temporária e comunicação da mobilidade de estudantes, investigadores e docentes.

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