Num encontro com associações e federações estudantis, o governante deixou críticas ao modelo de gestão das residências e apontou diretamente o caso de Beja como exemplo. «É preciso garantir que elas são ocupadas», afirmou, recordando que a infraestrutura foi inaugurada no início do ano letivo e está «pronta a usar».
Fernando Alexandre revelou ainda que o ministério tem acompanhado o processo e interpelado a instituição. «Nós próprios já os questionámos há vários meses (…) já perguntámos o que precisam da nossa parte, mas isto é uma responsabilidade do Instituto», declarou.
A residência foi inaugurada a 25 de setembro de 2025 pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, duas semanas antes das eleições autárquicas. Trata-se de um investimento de 22 milhões de euros, com capacidade para 503 camas destinadas a estudantes, docentes e investigadores.
Na altura, a presidente do IPBeja, Maria de Fátima Carvalho, classificou a infraestrutura como «moderna, ecológica, segura e duradoura». O problema é que, seis meses depois, o edifício continua encerrado.
Questionado pela “Alentejo Ilustrado”, o Instituto Politécnico de Beja não respondeu. Em declarações ao jornal “Público”, Maria de Fátima Carvalho justificou o atraso com «diversos procedimentos», nomeadamente as «ligações elétricas, a cargo da E-Redes, necessárias para testar o equipamento no seu pleno». A responsável aponta agora o dia 1 de abril de 2026 como data provável para a abertura da residência.
O caso já chegou ao Parlamento, com o deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, a questionar o Governo sobre a situação, considerando que «a relevância deste projeto para a região do Baixo Alentejo e para a coesão territorial do país é inegável».
Na pergunta dirigida ao executivo, o deputado afirma que «o que deveria ser um caso de sucesso na gestão de fundos públicos e na resposta social tornou-se, nos últimos meses, um exemplo preocupante de gestão política voltada para a propaganda em detrimento da funcionalidade real».
Fabian Figueiredo recorda que «no dia 25 de setembro de 2025, a apenas 15 dias das eleições autárquicas, o Governo realizou uma cerimónia inaugural de pompa e circunstância», sublinhando que, na ocasião, o primeiro-ministro afirmou que a obra demonstrava ser possível construir «com rapidez, sustentabilidade e qualidade».
No entanto, acrescenta, «o problema reside na profunda discrepância entre o discurso político e a realidade constatada no terreno». Segundo o deputado, «passados cinco meses desde que as fitas foram cortadas perante as câmaras de televisão, a “Residência Europa” continua a ser um edifício fantasma, sem um único estudante alojado».
O parlamentar sustenta ainda que «a inauguração apressada, que serviu propósitos de calendário eleitoral, não correspondeu à entrega de um equipamento pronto a funcionar», apontando que «a infraestrutura ainda carece de trabalhos fundamentais para a sua habitabilidade, nomeadamente no que diz respeito às ligações elétricas e à rede de comunicações».
Na mesma pergunta, refere que «a dependência de intervenções de terceiros, como a E-Redes para o fornecimento de energia e a necessidade de abertura de valas para a passagem de fibra ótica, revela que a obra estava longe de estar concluída no momento em que as mais altas figuras do Estado ali se deslocaram para celebrar o seu término».
O deputado alerta também para o contexto do ensino superior na região, referindo que «o IPBeja enfrenta uma crise de procura sem precedentes», com cursos a registarem ausência de colocados.
Entre as questões dirigidas ao Governo, Fabian Figueiredo pergunta: «Como justifica o Ministério que uma residência inaugurada com pompa e circunstância em setembro de 2025, com a presença do Primeiro-Ministro, continue cinco meses depois sem qualquer estudante alojado?» e «Qual é a data definitiva e garantida para a entrada em funcionamento da “Residência Europa” e para o início do alojamento dos estudantes?».












