“Olhamos para o rio e temos quase um metro abaixo daquilo que estava ontem [quinta-feira], então, podemos ter alguma esperança de que o susto passou”, afirma a presidente da Câmara Municipal, Clarisse Campos.
A meio da tarde, decorrem em bom ritmo os trabalhos de limpeza de cafés e lojas situados na marginal da cidade, com o envolvimento de proprietários, militares e voluntários. Uns com vassouras e outros com máquinas de pressão, lavam o que sobrou das inundações das últimas semanas.
Nessa zona, onde ainda há sacos de areia que temtaram impedir a passagem da água, acumula-se mobiliário danificado, canas e troncos trazidos pela água, que, a pouco e pouco, são levados em carrinhas de caixa aberta da câmara.
Apesar dos sinais de esperança, a presidente da Câmara avisa que ainda não é tempo de ‘levantar a guarda’, pois, é fevereiro e “a época das chuvas prolonga-se até abril”.
“Esperamos por dias com o tempo melhor para que as barragens possam continuar a libertar a água de maneira a que fiquem com algum encaixe para, em caso de aumento da precipitação, não tenhamos que voltar a retirar tudo dos estabelecimentos”, refere.
Mais de duas semanas depois da primeira inundação, o que agora mais preocupa a autarca é a forma como se vai reerguer quem perdeu tudo nas cheias e a falta de mão-de-obra para as reparações.
“As pessoas vão precisar de equipar os seus estabelecimentos e de financiamento para o fazer e aquilo que foi anunciado não serve para estas pessoas”, salienta, propondo a atribuição de um apoio financeiro a fundo perdido aos comerciantes.
Alertando que a economia local “já era muito débil”, Clarisse Campos lembra que grande parte dos pequenos negócios situava-se em toda a zona da marginal: “Se não os ajudarmos rapidamente, de forma a que estejam prontos a funcionar na época alta, não vamos conseguir reaver estes estabelecimentos comerciais”.
Lembrando que após estas cheias e concluída a limpeza, a cidade vai “entrar numa nova fase” e será precisa “mão-de-obra de carpinteiros, canalizadores, eletricistas, dos pedreiros”, a autarca diz que seria “importante que existissem também voluntários nestas áreas”, sugerindo aos interessados que “apadrinhem um destes estabelecimentos para ajudarem na sua recuperação”.
O comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Litoral, Tiago Bugio, também mantém a cautela, apesar de ter havido, desde a última madrugada, “uma diminuição significativa” do caudal do Rio Sado.
“Quando atingimos a maré alta, esta madrugada à 01h00, começámos a perceber esta inversão da maré, com o rio a fazer um bom escoamento deste caudal. Neste momento, a maré não está a influenciar muito” o nível da água, observa.
Segundo Tiago Bugio, as descargas de sete barragens para o Rio Sado é que influenciam o caudal, pelo que o possível início de descargas no Monte da Rocha, no concelho de Ourique, leva a “uma obrigação de acompanhamento” da situação.
“Esta barragem tem uma área superior a 200 hectares de espelho de água e a precipitação que caia lá ou nas ribeiras que convergem para a albufeira” sai pelo descarregador de superfície e converge para o Sado e isso “é uma preocupação acrescida”, afirma.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.












