«O Ciência na Rua é um daqueles meninos dos olhos do Ciência Viva», diz Rui Dias, geólogo, professor catedrático da Universidade de Évora.
No seu regresso a Estremoz, o evento avança um tema tão provocador quanto atual — «Sustentabilidade… insustentável?!…» —, propondo um diálogo inédito entre cientistas e artistas em torno dos grandes desafios do nosso tempo. Para cada um dos sete momentos científicos que decorrem em simultâneo no Rossio haverá uma dupla perspetiva: a razão a explicar os processos, as emoções a refleti-los. Das 16h00 à meia-noite, em espaço público e de entrada livre.
Como é que acontece o regresso do Ciência na Rua?
O Ciência na Rua — como penso que toda a gente compreenderá — é um daqueles «meninos dos olhos» do Ciência Viva. É um empreendimento do Ciência Viva e das entidades que connosco colaboram, nomeadamente o município de Estremoz e a Universidade de Évora. Tudo temos feito para conseguirmos o regresso deste evento, que tem um impacto muito grande, porque envolve muitas dezenas de cientistas e de artistas aqui na cidade de Estremoz. E esta dimensão do evento era de tal ordem que é preciso conseguir juntar muitos esforços, inclusive monetários.
O que foi conseguido.
O que finalmente foi conseguido, não só para este ano — este ano vai ser essencialmente uma atividade integrada no PRR da Universidade de Évora —, mas também já temos garantido, pelo menos para os próximos dois anos, a continuidade do Ciência na Rua. Fizemos oito edições, a última das quais em 2014, e o evento foi considerado pelo ministro da Ciência, o saudoso Mariano Gago, como o evento de divulgação científica em espaço público com maior impacto. Vamos regressar em grande. Estamos muito contentes: vêm oito companhias de artistas, não só nacionais mas também estrangeiras — vem um grupo de Espanha, vem um grande grupo de França que irá fazer o encerramento, vem um camião cheio de material para o evento. Por isso estamos mesmo muito contentes.
Em termos de programa, o que é que podemos esperar?
Como nos eventos anteriores, a partir das quatro da tarde vamos ter o Rossio cheio de atividades científicas, envolvendo vários grupos de investigação da Universidade de Évora, com atividades dedicadas ao grande público. O tema que escolhemos para o evento deste ano é algo provocador, mas totalmente atual: «Sustentabilidade… insustentável?!…» O que vamos trazer é uma série de sensibilidades diferentes — de cientistas e de artistas — que refletem sobre o momento que atravessamos. Vamos estar a olhar em ambas as perspetivas, porque a ideia do Ciência na Rua, desde sempre, foi cruzar a informação e a reflexão vindas de diferentes perspetivas. Há uma frase que uso quando estou a fazer atividades de divulgação — é uma frase de uma escritora franco-americana já falecida, Anaïs Nin —, e ela diz que nós não vemos o mundo como é, vemos o mundo como somos. A ideia do Ciência na Rua é justamente isto.
Possibilitar a reflexão sobre os problemas?
Qualquer que seja o tema — e foi assim nas edições anteriores —, a ideia é mostrar a quem passeia na rua, num grande festival, diferentes perspetivas sobre os mesmos assuntos. Vamos ter pessoas a refletir sobre como é que chegámos até aqui, o que se passa com a biodiversidade que temos na Terra — está em perigo, não está em perigo? —, quais são os nossos consumos, qual é a população, o que é que isso quer dizer, e uma reflexão final sobre o que fazer e quais são os desafios que enfrentamos agora. Uma diferença em relação aos anos anteriores é que vamos ter, neste festival de ciência, misturado com os cientistas e os artistas, gastronomia e vinhos locais — fazendo com que as pessoas possam ir circulando, comendo e bebendo, e conhecendo o que aqui se faz.
Temos em perspetiva uma grande festa da ciência?
Eu até arriscaria dizer que é uma grande festa da ciência, mas também uma grande festa de Estremoz. Isto é completamente inédito a nível nacional — e mesmo a nível mais alargado não conheço nenhum evento com este tipo de atividades, porque o que normalmente existe são feiras de ciência ou coisas do género. Aqui não: há uma temática comum que vai ser explorada em sete grandes momentos científicos que ocorrem em simultâneo, sempre das quatro da tarde à meia-noite. O acesso é livre, as pessoas vão circulando livremente — é em espaço público — e eu diria que é também uma grande festa de Estremoz.
Em torno da ciência.
As pessoas vêm aqui, circulam, vêm ver ciência, experiências, coisas que não estariam à espera de ver — mas é importante que isso seja complementado com atividades de artistas. O que é inédito é que as atividades artísticas estão relacionadas com as atividades científicas que estão a decorrer. Ou seja, para cada um dos sete temas que escolhemos vai haver sempre uma dupla perspetiva: uma mais científica, que tenta perceber, quantificar e explicar os processos, e depois uma componente mais de reflexão dos artistas. Arriscaria — sabendo que é redutor — dizer que vamos ter a componente mais centrada na razão do lado dos cientistas, e do lado dos artistas uma reflexão muito alicerçada nas emoções. Os espetáculos são todos de rua — houve o cuidado, na coordenação artística do evento, de selecionar espetáculos de rua, muitos deles apoiados nas luzes —, por isso vai haver um impacto visual muito grande.










