“Na sexta-feira, e por não se sentir muito bem, o nosso pai foi internado”, revelou Paula de Carvalho, precisando, “após informações clínicas atualizadas”, foi diagnosticado um “AVC ligeiro”.
A filha do ator mais velho em atividade em todo o mundo sublinhou que o pai está “consciente, reconhece as pessoas e fala”, mantendo-se “internado sob observação, uma vez que está a três meses de fazer 99 anos”.
Paula de Carvalho não precisou a localidade nem o estabelecimento hospitalar onde o pai se encontra internado por motivos de “preservação da intimidade”, acrescentando que “todas e quaisquer informações sobre o estado de saúde” será ela a fornecê-las.
O internamento do ator obrigou ao cancelamento dos espetáculos da peça que protagoniza no Centro Cultural Malaposta, em Olival Basto (Odivelas), “A Ratoeira”, uma das histórias que especialistas de literatura consideram “das mais incríveis” de Agatha Christie, em cena há mais de 70 anos.
É a segunda vez que o ator protagoniza esta história, embora interpretando personagens diferentes. Na primeira vez que subiu ao palco com “A Ratoeira”, nos anos 1960, fazia par com a atriz Maria Dulce. Armando Cortez, João Villaret, Rogério Paulo e Lili Neves (ainda viva e residente na Casa do Artista) foram, entre outros, os atores com quem contracenou na altura.
Rui Alberto Rebelo Pires de Carvalho, mais conhecido por Ruy de Carvalho, nasceu em 01 de março de 1927, em Lisboa, tem uma carreira de 83 anos num percurso que congrega teatro, cinema, rádio, televisão. Iniciou-se no teatro, como amador, aos 15 anos, na peça “O Jogo para o Natal de Cristo”, de Luiz Francisco Rebello, estreada no Teatro da Trindade, em Lisboa, pelo então grupo de Teatro da Mocidade Portuguesa, dirigido por Francisco Ribeiro, mais conhecido por Ribeirinho.
A primeira vez que o ator representou data de julho de 1936, com nove anos, no Teatro Municipal da Covilhã. Em 28 de fevereiro de 2023, em vésperas da estreia da peça “Ruy, A História Devida”, confessou que vai continuar a trabalhar. “Só quando morrer é que paro, e isso leva um segundo”, disse, na altura, Ruy de Carvalho, assegurando que só então “a menina vigia” se “irá embora” de si.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Arquivo/D.R.











