Sete concelhos alentejanos em risco de perderem meios de socorro do INEM

A Comissão de Trabalhadores do INEM denunciou a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo operacional próprio do Instituto, no âmbito da transferência das ambulâncias de emergência médica para as unidades locais de saúde (ULS) e da transformação das atuais ambulâncias SIV em viaturas ligeiras. 

No Alentejo, a medida afeta sete concelhos — Elvas, Estremoz, Moura, Odemira, Ponte de Sor, Alcácer do Sal e Castro Verde —, todos com a perda de uma ambulância de suporte imediato de vida (SIV), que atualmente operam a partir dos respetivos centros de saúde.

A decisão foi confirmada pelo presidente do INEM numa entrevista transmitida na sexta-feira pela RTP, na qual foi anunciada a transferência das ambulâncias de emergência médica do INEM para as ULS e a transformação das atuais ambulâncias SIV em viaturas ligeiras.

«A concretizar-se esta decisão, 54 ambulâncias de emergência médica serão entregues às ULS e 46 SIV deixarão de ser ambulâncias, perdendo a capacidade de transporte de doentes», refere a Comissão de Trabalhadores do INEM, em comunicado enviado à Alentejo Ilustrado.

«Não estamos perante um reforço do Sistema Integrado de Emergência Médica. Estamos perante a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo operacional próprio do INEM», acrescenta a comissão.

Segundo a estrutura, «esta opção aumentará brutalmente a pressão sobre os bombeiros e a Cruz Vermelha Portuguesa, que terão de assegurar um número ainda maior de transportes num sistema já profundamente pressionado».

O resultado previsível, alerta, «será o aumento dos tempos de resposta, uma maior indisponibilidade de meios e um risco acrescido para os utentes».

A comissão exige ainda um esclarecimento público da ministra da Saúde: «A ministra da Saúde tem de esclarecer publicamente se concorda e dá respaldo político a esta decisão. Ou confirma esta opção e assume integralmente as suas consequências, ou aproveita a entrada em vigor da nova lei orgânica para substituir, na íntegra, o atual Conselho Diretivo do INEM».

Quanto aos trabalhadores, a comissão sublinha que a decisão «altera profundamente as circunstâncias em que têm exercido os seus direitos laborais e mantido uma postura de responsabilidade perante os cidadãos e o funcionamento do sistema».

«Não é possível desmantelar a resposta operacional do INEM e esperar o silêncio, a contenção ou a passividade dos seus profissionais», conclui o comunicado, que apela ainda aos presidentes das 71 câmaras municipais afetadas — entre os quais os sete municípios alentejanos — para que «defendam as suas populações», lembrando que «menos meios significa mais demora no socorro e maior risco para cada munícipe».

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