Setor da amêndoa perde mil hectares mas bate recorde de exportações

Alguns produtores em Portugal têm arrancado amendoais e optado por outras culturas, devido a pragas ou erros na instalação, revelou uma associação do setor, que registou uma quebra de 1.000 hectares no conjunto dos associados.

Segundo o diretor executivo da Portugal Nuts, Nuno Russo, esta associação contabilizou, no último ano, «uma redução de mil hectares” nas plantações de amêndoa do conjunto dos seus associados, passando de um total de cerca de 18 mil para 17 mil hectares.

«A nível nacional, temos que aguardar pelos dados do INE [Instituto Nacional de Estatística] para tentar perceber se houve uma estagnação» do setor em Portugal ou se «os arranques foram compensados com algumas novas plantações»,adiantou.

Ainda assim, em 2025, em termos de valor, foi atingido um novo máximo histórico do setor, que alcançou os 156 milhões de euros de exportações, revelou Nuno Russo, aludindo aos mais recentes dados do INE precisamente sobre esta matéria.

«Foi possível valorizar a produção, independentemente de poder vir a ser mais baixa» em 2025 (em quantidade), do que no ano anterior, frisou.

A competitividade e os desafios dos frutos secos são temas em destaque no quinto Congresso Portugal Nuts, que se realiza na terça-feira em Évora, com a presença de associados, produtores, técnicos, investigadores e outros agentes da fileira.

Promovido pela Associação de Promoção de Frutos Secos (APFS), o congresso também aborda o impacto da geopolítica no setor, as políticas agrícolas e económicas e os riscos associados às variações climáticas, entre outros assuntos.

Segundo o responsável, além da redução da área de amêndoa representativa da associação, no último ano, a Portugal Nuts também viu sair «alguns associados, em resultado do arranque do amendoal e da opção por outras culturas», mas não precisou o número de produtores que saiu.

O arranque das plantações «resulta, por um lado, de questões fitossanitárias relacionadas com algumas variedades de amendoal», disse, precisando que «uma em particular que é a Soleta não tem condições de produção e não está a ter rendimento».

Nuno Russo explicou que esta variedade «é suscetível a pragas e doenças existentes em Portugal» e causa «uma diminuição da produção que se mantém ao longo do tempo», pelo que estas plantações «não são produtivas e têm que ser arrancadas».

Outras situações estão relacionadas com pomares que «não foram instalados em condições que proporcionassem uma boa produtividade», acrescentou o responsável, indicando a inadaptação das variedades ou a falta de condições do solo, água ou horas de frio.

Isto acontece porque «ainda não há suficiente investigação e experimentação em Portugal que nos possa direcionar com toda a certeza» para as melhores variedades e práticas agrícolas, levando os produtores a socorrerem-se «do que existe nos outros países», assumiu.

O diretor executivo da Portugal Nuts disse ter conhecimento de casos em que o produtor arranca e, depois, replanta o amendoal, «escolhendo melhores variedades e instalando os pomares de maneira mais moderna e tecnológica».

«Acreditamos que a produção em Portugal vai continuar a aumentar, porque vamos ter novos pomares a produzir e isso, independentemente do arranque que possa ter existido, vai permitir o aumento de produção», vaticinou.

Quanto à campanha deste ano, Nuno Russo afirmou que «a fase da floração foi muito boa» e disse esperar que, caso não exista nenhum constrangimento até à altura da colheita, a fileira possa «ter um ano em grande em termos de produção».

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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