Sindicatos pedem salvaguarda de empregos na refinaria de Sines

A Comissão Central dos Trabalhadores (CCT) da Petrogal e sindicatos exigem esclarecimentos sobre o negócio entre a Galp e a Moeve, pedindo garantias para a proteção dos postos de trabalho.

«Consideramos que [este negócio] pode ser muito desastroso, até porque estão em causa postos de trabalho e os direitos dos trabalhadores», disse o representante da CCT da Petrogal, Fábio Pereira, à margem de uma iniciativa pública, em Sines, promovida pela CCT da Petrogal, pela Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Elétricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas (Fiequimetal) e pelas Comissiones Obreras.

Denominada Dia de Defesa da Refinaria de Sines, a iniciativa, que juntou pouco mais de uma dezena de participantes, entre trabalhadores, sindicalistas e autarcas, serviu para alertar para as consequências da fusão entre a Galp e a Moeve e o impacto que poderá ter no futuro da refinaria e da região.

Segundo Fábio Pereira, os representantes dos trabalhadores continuam sem obter «qualquer explicação» por parte da empresa e do Governo sobre esta fusão: «Como a administração [da empresa] diz, o Governo já tem toda a informação sobre o negócio, mas a nós, trabalhadores, não diz absolutamente nada».

O acordo não vinculativo assinado entre a Galp e os acionistas da Moeve (ex-Cepsa) prevê a criação de duas novas plataformas empresariais: uma dedicada ao retalho de combustíveis e mobilidade (RetailCo), que reunirá as redes de postos de abastecimento e será controlada pela Galp e pela Moeve, e uma plataforma industrial (IndustrialCo), focada em refinação, petroquímica, trading e combustíveis de baixo carbono (como biocombustíveis e hidrogénio).

Nesta plataforma industrial, a Galp terá uma participação minoritária, superior a 20%, enquanto a maioria do capital ficará nas mãos dos acionistas da Moeve. Entre os ativos potencialmente integrados encontra-se a refinaria de Sines, considerada estratégica para o abastecimento energético nacional.

Representante da Fiequimetal, Mário Matos critica «a opacidade» deste negócio e alerta para os riscos para a soberania nacional: «Tínhamos duas refinarias e, por uma decisão política, ficámos só com uma. Esperemos que agora, por uma decisão puramente económica, não fiquemos sem outra também».

Exigindo que o Governo clarifique «o papel que [a refinaria de Sines] vai desempenhar na economia» nacional, no atual contexto de transição energética, Mário Matos quer saber se «vai ser reconvertida para algo diferente ou se, do ponto de vista do Governo, a refinação de petróleo é para continuar».

Por seu lado, o presidente da Câmara de Sines, também presente na ação pública, manifestou a sua preocupação relativamente aos trabalhadores e à economia local.

«Estamos a falar de uma refinaria que é única, neste momento, em Portugal e é algo absolutamente estratégico para o país» no contexto energético, defendeu Álvaro Beijinha, sublinhando que o Governo «tem mecanismos que podem, eventualmente, impedir este negócio que pode pôr em causa a soberania energética».

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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