Os trabalhadores da PSA Sines e LaborSines irão voltar à greve, entre os 22 e 26 deste mês, no Terminal XXI do Porto de Sines por melhores condições laborais, tendo a empresa alertado para repercussões na operação portuária.
Fonte do Sindicato das Indústrias, Energia, Serviços e Águas de Portugal (Sieap) revelou que o pré-aviso de greve parcial, entre 22 e 26 deste mês, abrange quatro horas por turno, totalizando uma paragem diária de 12 horas no Terminal XXI do Porto de Sines.
Este período de greve – a terceira paralisação convocada desde maio -, tem como objetivo reivindicar a melhoria das condições laborais, como a evolução das carreiras e o horário de trabalho.
Em plenário, no passado dia 27 de agosto, os trabalhadores prometeram endurecer a luta, durante este mês, caso a administração se mantivesse “radicalizada e a não dar resposta aos [seus] anseios”, disse, na ocasião, o secretário-geral do sindicato, Cláudio Santiago.
Em comunicado, a diretora-geral da PSA Sines, Nichola Silveira, manifestou entretanto preocupação em relação a esta greve parcial, admitindo que “poderá afetar a operação portuária” do maior terminal de contentores do país.
Segundo Nichola Silveira, a operação portuária poderá ser afetada “devido à perda de movimentos, à confiança dos clientes e à sustentabilidade a longo prazo de muitos postos de trabalho”. Esta situação, assinala, terá “potenciais impactos na economia local e nacional, bem como na interrupção do fluxo de mercadorias”.
Na mesma nota, e para demonstrar “o seu compromisso contínuo com o diálogo”, a diretora-geral da PSA Sines refere que a empresa “alcançou recentemente um entendimento com o Sindicato XXI”, a maior estrutura sindical representada naquele terminal.
Este acordo, prossegue, “incluiu a criação de um grupo de trabalho para o início das discussões sobre um novo modelo de horários” e a implementação de “um esquema de incentivos baseado em movimentos mensais de contentores”.
Por seu lado, em comunicado, o sindicato avançou que a greve parcial “é a resposta inevitável a uma administração que se recusa a dialogar de forma séria e inclusiva”.
Apesar do acordo entre a empresa e outra estrutura sindical, o Sieap tem sido “sistematicamente bloqueado nas suas tentativas de negociação, vendo as suas propostas para um modelo de horários mais humano serem sucessivamente ignoradas”, alegou o sindicato que convocou a greve.
Com esta luta, acrescentou, os trabalhadores exigem “o fim de um modelo de horários desequilibrados e a devolução de direitos adquiridos, como o dia de aniversário”, ao invés de “prémios que mascaram a realidade”.
“O verdadeiro risco para a confiança dos clientes e a sustentabilidade a longo prazo não é a greve, mas sim a política da empresa que ignora o bem-estar dos seus trabalhadores”, advertiu.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Arquivo/D.R.












