Sines: tripulante indiano de navio com cocaína encontrado morto na cela

Os serviços prisionais abriram um inquérito para apurar as circunstâncias da morte, na sua cela individual, de um dos três detidos na operação «Skydrop» da Polícia Judiciária, que resultou na apreensão de cinco toneladas de cocaína ao largo do porto de Sines.

De acordo com a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) «um detido, entrado com mandado de condução à cadeia na sequência das detenções da operação SkyDrop, foi encontrado sem vida na cela que ocupava sozinho no estabelecimento prisional instalado junto à Polícia Judiciária de Lisboa».

Fonte ligada ao processo adiantou que o homem foi encontrado morto, por enforcamento, na abertura da cela, cerca das 08h00, e que se tratava do tripulante indiano do navio que transportava a droga, revistado no porto de Sines.

A DGRSP adiantou ainda que «o detido foi encontrado pelos elementos da vigilância que procediam à abertura matinal das celas, tendo sido de imediato ativado o socorro pelo 112», cujos técnicos de emergência verificaram o óbito no local.

«Em cumprimento do protocolado foi preservado o local com o encerramento da cela, tendo a ocorrência sido imediatamente participada ao piquete da PJ e ao inspetor que fez a entrega do detido à diretora do estabelecimento prisional», refere a mesma fonte.

Segundo os serviços prisionais, a delegada de saúde esteve no local, «tendo ordenado o levantamento do cadáver que foi recolhido e transportado para o Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), cerca das 11h40, pelos bombeiros, acompanhados por um inspetor da Brigada de Homicídios da PJ».

Na conferência de imprensa realizada pela PJ, às 15h00, para adiantar pormenores sobre a operação que levou à apreensão das cinco toneladas de cocaína, não foi revelada a morte do detido, apesar de a mesma ter sido comunicada de manhã ao piquete.

Questionada sobre o assunto, a PJ esclareceu que a conferência de imprensa «teve por objeto a apresentação dos resultados da operação Skydrop» e que a morte de um dos detidos «constitui uma situação distinta, que desencadeou procedimentos legais e processuais adequados».

«A PJ confirma que, oportunamente, lhe foi comunicada a ocorrência de um óbito no Estabelecimento Prisional Anexo à PJ, tendo sido imediatamente acionados os mecanismos legalmente previstos para a investigação das circunstâncias em que o mesmo ocorreu», adiantou.

A Judiciária afirma ainda que, por estar em curso uma investigação pela Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo, «destinada ao apuramento das causas e circunstâncias dessa morte, não pode adiantar qualquer hipótese quanto à origem do óbito nem qualquer outra informação sobre aqueles factos».

O navio que transportava cinco toneladas de cocaína foi abordado em alto-mar pelas autoridades portuguesas para garantir que a droga era apreendida, explicou a PJ, em conferência de imprensa. O porta-contentores, «proveniente de um país da América Latina, foi detetado e abordado a cerca de 640 milhas náuticas de Lisboa, o equivalente a 1.185 quilómetros, em condições de extrema dificuldade» e «acompanhado pela Marinha até ao Porto de Sines, onde atracou na madrugada» de terça-feira.

Além do suspeito hoje encontrado morto, foram igualmente detidos na operação dois passageiros clandestinos, um italiano e um colombiano.

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