«O Governo está muito preocupado com esta situação», afirmou o ministro da Administração Interna, Luís Neves, no final de uma reunião, em Cuba, no âmbito do Roteiro de Proximidade com os Bombeiros, que tem realizado pelo país.
Em declarações aos jornalistas, questionado acerca da subida da sinistralidade rodoviária nesta Páscoa, em comparação com o mesmo período de 2025, o ministro reconheceu o aumento, acrescentando que se estende ao próprio trimestre.
«O primeiro trimestre deste ano aponta também para números, quer de mortos, quer de feridos, muito superiores aos do ano passado, em período homólogo», disse.
As operações da GNR e da PSP na Páscoa, que terminaram na segunda-feira, registaram 20 mortos e 53 feridos graves em 2602 acidentes rodoviários.
Em comunicado divulgado ontem, o Ministério da Administração Interna anunciou que vai apresentar, em breve, um pacote de medidas estratégicas, de curto, médio e longo prazo, relacionadas com a segurança rodoviária.
Aos jornalistas, em Cuba, Luís Neves apontou para os «próximos dias» a apresentação de «um plano global» para procurar inverter estes números, assente numa «estratégia que vai ser aprovada».
«Vamos pensar na questão do código das estradas e numa relação de maior proximidade com a Polícia de Segurança Pública (PSP) e com a Guarda Nacional Republicana (GNR), porque, de facto, há comportamentos que não são admissíveis», argumentou.
Aludindo à apresentação do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), na semana passada, Luís Neves lembrou que, «dos quatro ou cinco pontos mais relevantes», o primeiro-ministro, Luís Montenegro, referiu a segurança rodoviária como «um dos temas em cima da mesa».
«É um trabalho do Governo, é um trabalho também das pessoas e também do civismo. E nós vamos ser, de facto, muito implacáveis com aquilo que se está a passar», prometeu.
O ministro realçou que existem «cada vez melhores viaturas» e «melhores estradas», pelo que a análise do aumento da sinistralidade rodoviária deve considerar igualmente «a atitude e o comportamento» das pessoas.
«Temos muitos mortos, temos muita gente ferida que fica com sequelas para o resto da vida. É uma tristeza profunda para as famílias e para o próprio e nós temos que inverter toda esta situação com trabalho coletivo», defendeu.
O excesso de velocidade, o álcool, a falta de habilitação para conduzir e a distração, sobretudo devido à utilização de telemóveis, são fatores identificados que «continuam a ser os mais relevantes e que levam a tragédias que são tragédias coletivas», elencou.
E enfatizou: «as instruções que o Governo vai transmitir vão ser muito claras», porque «não pode haver, de facto, deslizes graves», como conduzir «a 180 quilómetros por hora, a 200 quilómetros por hora, ou haver atropelamentos mortais dentro das cidades».
«Estes comportamentos têm que acabar», alertou, discordando também dos avisos sobre locais onde as autoridades policiais colocam radares de velocidade: «Desculpem lá, estamos a avisar os prevaricadores antecipadamente do que é que o Estado, do ponto de vista preventivo, da fiscalização e também do ponto de vista repressivo, está a procurar fazer?».
«Queremos muito rapidamente encontrar medidas que são de médio e longo prazo, mas tem que haver um momento em que se vai fazer a inversão deste status quo», sublinhou, vincando que «há muitos mortos na estrada, há muitas famílias destruídas, há muita gente, sobretudo jovens, que fica com a vida incapacitada» e que é preciso inverter esse caminho.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Mariana Branco/MAI/D.R.












