“Somos hóspedes da Terra”. Alfredo Moreira da Silva celebra 50 anos de carreira

A convite da Câmara Municipal, a exposição estará espalhada pelo Museu de Santiago do Cacém, o edifício da Câmara, o Auditório António Chainho, a Rua Professor Egas Moniz e a Travessa de São Sebastião. Telas e painéis vão habitar estes espaços, criando “um ecossistema artístico que convida à reflexão sobre a natureza, o afeto e a esperança, onde criar é regenerar”.

A inauguração está agendada para o dia 27 de setembro, pelas 17h30, no Museu Municipal, com a participação da bailarina Beatriz Mira, do Grupo Coral da Casa do Povo de Cercal do Alentejo e do músico Alexandre Pintassilgo.

A exposição, retrospetiva e evocativa, celebra os 50 anos de carreira do artista plástico e paisagista, figura singular no panorama da arte contemporânea portuguesa, cuja obra atravessa os domínios da pintura, do design, da arquitetura e da regeneração ecológica. 

De acordo com Sónia Gonçalves, vereadora da Cultura da Câmara de Santiago do Cacém, a autarquia acolhe esta exposição “como um projeto que cria um verdadeiro ecossistema artístico” com obras expostas em diversos locais da cidade. “Este gesto de descentralização e de abertura da arte ao espaço público é, por si só, um manifesto: a arte deve pertencer a todos, ocupar o quotidiano, provocar encontros e diálogos inesperados”.

Alfredo Moreira da Silva refere que, na sua essência, esta exposição interroga o Sul. Não apenas como lugar geográfico, mas como território emocional e simbólico: o respeito pela Terra, a cultura, a solidão, mas também a resistência, a beleza e a esperança das gentes deste território.

Os espectros na sua obra “são sempre uma procura de algo sobre o qual não há informação escrita, mas que tem aquilo que sentimos e exteriorizamos”. Para Alfredo Moreira da Silva, o papel da arte, “mesmo que não o queira”, é o de “escrever o que está nas entrelinhas, mostrar aquilo que todos queremos comunicar. Por isso, as pessoas encontram-se na arte.” 

“O sul do Tejo” – prossegue – “é uma atração que tenho desde criança e que não sei explicar. Sou um homem do Norte, da cidade, do Porto, da indústria, do comércio e o Sul era a grande incógnita. Um território meio desertificado, com as suas planícies, as casas caiadas de um branco desidratado e uma cultura condensada. Há um fado muito grande no Alentejo, houve uma evaporação, não só do território, mas também das pessoas. Não me levem a mal, mas o Alentejo é uma terra mártir em que o solo está extenuado e os rostos das pessoas refletem essa falta de esperança”.

As obras expostas lançam questões, provocam e apelam à reflexão e à escolha de um caminho e exploram os temas como o bosque, os outros, a esperança, o território, o amor e o ar.

Rodeado pela natureza da Herdade da Matinha, no Cercal do Alentejo, Alfredo Moreira da Silva defende que “somos hóspedes da Terra, é a nossa condição. Mas podemos ser guardiões ou destruidores. Eu escolhi ser guardião, olhar e perceber que a natureza é um ecossistema gigante, muito mais inteligente do que nós, que temos de preservar e respeitar o seu tempo.”

A exposição “SUL – Espectros Além do Tejo” pretende estabelecer um diálogo em que as pessoas “entendam que são únicas”, e por isso, “sejam o melhor de vós, vivam em plenitude. Tenho a sensação de que é esse bem-estar consigo que traz beleza ao mundo.”

Alfredo Moreira da Silva nasceu em 1958, no Porto. Cedo se interessou pelas Artes, incentivado pelo pai, arquiteto e paisagista. Estudou na Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis.

Entre 1978 e 1983 viveu uma experiência monástica, praticando a meditação de inspiração ‘raja yoga’. Após alguns anos a trabalhar na indústria têxtil, partiu para a Austrália, onde recomeçou, com mais determinação, a atividade da pintura. Regressou a Portugal, ao Alentejo, mais precisamente à serra do Cercal do Alentejo, concelho de Santiago do Cacém, onde criou um hotel-refúgio rodeado pela floresta, lugar que é testemunha da sua produção artística.

Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografias: D.R.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Partilhar artigo:

ASSINE AQUI A SUA REVISTA

Opinião

CARLOS LEITÃO
Crónicas

BRUNO HORTA SOARES
É p'ra hoje ou p'ra amanhã

Caro? O azeite?

PUBLICIDADE

© 2025 Alentejo Ilustrado. Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por WebTech.

Assinar revista

Apoie o jornalismo independente. Assine a Alentejo Ilustrado durante um ano, por 30,00 euros (IVA e portes incluídos)

Pesquisar artigo

Procurar