
O Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT) acolheu o XVIII Encontro Ibérico de Parques de Ciência e Tecnologia, sob o tema “Novos Mundos Imersivos”.
Durante três dias, Évora recebeu dirigentes, investigadores, empreendedores e representantes de parques de Portugal e Espanha para debater o impacto da inteligência artificial, da robótica e da realidade virtual no desenvolvimento dos ecossistemas de inovação.
O evento destacou a importância de Évora e do Alentejo no mapa ibérico da inovação, e reforçou a ambição de consolidar a região como um território do futuro e de excelência científica.
As sessões incluíram apresentações e mesas-redondas que foram dedicadas ao papel das tecnologias imersivas na criação de valor e às novas oportunidades abertas pela WEB 3.0. O encontro deu especial destaque ao trabalho desenvolvido pelas jovens equipas do programa xBOOST, integrado no projeto eGames Lab, onde foram apresentados projetos inovadores de base tecnológica e onde mostraram como as realidades imersivas já estão a gerar soluções concretas com aplicabilidade empresarial.
Estes momentos revelaram não apenas o talento das equipas, mas também a capacidade do PACT em atrair e apoiar iniciativas emergentes com potencial de crescimento. Outros parques partilharam igualmente boas práticas no apoio ao empreendedorismo e na transferência de conhecimento.
O encontro terminou com a intervenção da secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão, que sublinhou a relevância nacional do evento e reafirmou o compromisso do Governo com o fortalecimento dos parques de ciência e tecnologia enquanto instrumentos estratégicos de desenvolvimento.
É, ainda, de extrema importância ressaltar a assinatura do “Manifesto de Évora”, entre a APTE – Asociación de Parques Científicos y Tecnológicos de España e a TecParques – Associação Portuguesa de Parques Científicos e Tecnológicos, que propõe uma linha de cooperação entre os parque ibéricos e que define prioridades comuns, desde a transição digital à valorização do capital humano.
“Com o Manifesto de Évora, reforçamos o compromisso de uma rede ibérica coesa, capaz de responder aos grandes desafios da digitalização, da inovação e da sustentabilidade. Os parques de ciência e tecnologia são hoje pontes entre países, regiões e talentos — e este encontro foi um exemplo claro disso”, afirmou Felipe Romera, presidente da APTE.
A realização deste encontro em Évora serviu para evidenciar a maturidade crescente do PACT e do ecossistema regional de inovação. Ao combinar uma organização cuidada com a integração de momentos culturais, como o cante alentejano, mostrou-se que a inovação não precisa de estar desligada da identidade local. Aliás, esta ligação é um dos elementos que distingue o PACT, é o que o torna em mais do que um espaço físico de incubação, e sim num ponto de encontro entre o conhecimento, a criatividade e o desenvolvimento regional.
Neste contexto, pode-se dizer que os parques de ciência e tecnologia assumem hoje um papel decisivo na economia do conhecimento. Quando bem integrados nas estratégias regionais, tornam-se motores de transformação económica, capazes de criar empregos qualificados, atrair investimento e fixar talento.
Exemplos como Braga, Aveiro ou Évora comprovam que a inovação pode florescer fora dos grandes centros urbanos. No caso do Alentejo, o PACT demonstra que é possível criar um polo de conhecimento num território tradicionalmente agrícola.
“O sucesso deste encontro em Évora prova que a inovação pode e deve acontecer em todo o território. Os parques de ciência e tecnologia são hoje plataformas estratégicas para a valorização do conhecimento, a criação de emprego qualificado e a coesão territorial”, referiu Nuno Augusto, presidente da TecParques.
Os parques transformam políticas públicas em ações concretas, canalizando fundos europeus para programas de formação, incubação ou transferência de tecnologia. Servem de ponte entre os objetivos estratégicos de um país ou região e as necessidades reais das empresas. E esta função é especialmente relevante num tempo em que a economia se baseia cada vez mais no conhecimento e na inovação contínua.
Mais do que infraestruturas, são agentes da mudança que aproximam a ciência da sociedade.
O autor é presidente executivo do Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia










