“Sempre acreditei no papel que as ideias têm no desenvolvimento das regiões”. São palavras de Soumodip Sarkar, presidente executivo do Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT) e anfitrião do primeiro TEDx Évora, a realizar durante o dia de hoje. “Ao longo dos anos” — sublinha — “tenho defendido que o Alentejo não pode viver apenas da sua reputação tradicional, mas que se deve afirmar também como um território da ciência, tecnologia e inovação”.
Segundo Soumodip Sarkar, tanto Évora como o Alentejo “têm um enorme potencial, tanto a nível cultural como inovador, e merecem um palco onde se explorem as visões profundas sobre os grandes desafios do nosso tempo”. Esse palco será o TEDx, apostado em “intensificar o diálogo com a comunidade” e em “ligar” a região “ao debate global de ideias com impacto real”.
O tema será “Reprogramar o Futuro” — já se verá porquê. Entre os oradores estarão Elvira Fortunato (ex-ministra da Ciência), Vítor Ribeirinho (CEO da KPMG, uma das principais empresas globais de auditoria e consultoria estratégica), Maria Manuel Mota (presidente executiva do Gulbenkian Institute for Molecular Medicine) e Philipp Wintersberger (professor na Universidade de Linz e especialista em sistemas de inteligência artificial), entre outros.
“Durante anos, o PACT esteve noutra fase de prioridades, mas agora sentimos que reunimos as condições para dar um salto qualitativo. O TEDx Évora nasce dessa ambição. Com a sua missão mundial de partilhar ideias, este é um meio poderoso para trazer pensamento crítico e inspirar as comunidades locais”, acrescenta Soumodip Sarkar, confessando que, há muito, ambicionava trazer o evento para Évora. “Sempre admirei a capacidade de trazer ideias transformadoras para o centro do debate público”.
A escolha do tema reflete um “convite à reflexão profunda e à ação” em torno de quatro áreas centrais: ambiente e alterações climáticas; segurança e defesa; saúde e bem-estar; trabalho e automação. “Significa assumir que os sistemas económicos, tecnológicos e sociais que hoje conhecemos estão a ser profundamente alterados. Reprogramar é questionar esses códigos que moldam a vida coletiva e decidir conscientemente como queremos que o futuro seja desenhado, especialmente a partir de uma região como o Alentejo, que tem espaço, talento e qualidade de vida para liderar essa transformação”, enfatiza.
Por Évora passará ainda um fundador da AuraML, uma startup indiana, parceira da Nvidia, com uma intervenção centrada na robótica e no impacto da automação no futuro do trabalho. “Procurámos pessoas que, de uma forma concreta, estejam a reprogramar o futuro nas suas áreas”, resume o anfitrião da iniciativa, esperançado que este seja “o primeiro de vários TEDx em Évora e que ajude a consolidar uma dinâmica contínua de debate e inovação”.
Sublinhando que o evento “integra uma visão mais ampla”, com a “intenção de reforçar o dinamismo científico, tecnológico e empresarial” da região, Soumodip Sarkar lembra que o “ecossistema” do PACT reúne 57 empresas e uma faturação agregada superior a 100 milhões de euros. “O nosso objetivo sempre foi fixar talento, criar empresas e mostrar que o Alentejo pode e, no que me diz respeito, será um polo tecnológico”.
Cada TEDx, explica, “tem a sua própria identidade”. No caso do de Évora, trata-se de “cruzar a ciência, a tecnologia, o empreendedorismo e a reflexão estratégica”, com a particularidade da “estreita ligação” às empresas instaladas no PACT e com a intenção “de que estas conversas tenham um impacto direto no desenvolvimento socioeconómico local”.
De acordo com o responsável, durante o dia irão passar pelo palco “organizações com impacto nacional e internacional”, como a KPMG, o centro de engenharia CEiiA e a NTT DATA, “todas alinhadas com áreas como a tecnologia digital, sustentabilidade e a indústria 4.0”, a que se juntam empresas como a TE Connectivity, ITGest, Empowered Startups, Jerónimo Martins (Agrotech) e Fraunhofer, entre outras, todas elas a trabalhar em projetos de engenharia, software e inovação. “Este não é um evento isolado num auditório tradicional; está inserido num ecossistema onde se programam soluções, se testam hipóteses e se reprograma o futuro, transformando oportunidades em ações concretas”.
Questionado sobre a forma como o debate destas temáticas, da automação ao ambiente, pode influenciar a comunidade local e nacional, Soumodip Sarkar recorda uma metáfora que costuma usar, segundo a qual podemos levar um cavalo até à água, mas não o podemos obrigar a beber.
“O meu papel” — refere — “é dar a conhecer o que está a acontecer no mundo e sensibilizar as empresas, os investigadores e os jovens para as transformações em curso. Espero que estas temáticas incentivem a preparação para o futuro, promovam a qualificação e estimulem novas iniciativas empresariais e científicas”.
Na sua opinião, o TEDx Évora poderá “funcionar como um espelho que mostra à comunidade o que está a ser feito em termos de ciência e inovação e como um motor que impulsiona a reflexão crítica e a ação”. A sua esperança “é que as pessoas saiam com uma nova consciência sobre as oportunidades e os desafios” que temos pela frente.
“Se conseguirmos que as empresas locais se preparem melhor para a automação, que os jovens vejam oportunidades na robótica, na inteligência artificial ou na ciência, e que os investigadores encontrem novas colaborações, então já estaremos a influenciar positivamente a comunidade”, diz ainda Soumodip Sarkar, para quem reunir um TEDx em Évora “é afirmar que uma cidade com tanto património pode ser também um lugar onde se pensa no futuro de forma ambiciosa e conectada com questões globais”. E, em simultâneo, um convite para se perceber que a região “está pronta para discutir um Alentejo ecológico, tecnológico e inovador”.
Garantindo que a ambição é transformar este evento “numa referência anual no panorama nacional para a discussão de ideias inovadoras e disruptivas”, o presidente executivo do PACT e anfitrião do evento diz esperar que o TEDx Évora “ajude a construir uma rede duradoura de contactos, projetos e colaborações, que dê visibilidade” à região. Ou seja, “que inspire jovens a permanecer e empreender no Alentejo e que contribua para afirmar Évora como um polo de inovação reconhecido nacional e internacionalmente”.
De acordo com Soumodip Sarkar, “o maior legado será mostrar que é possível organizar eventos de grande impacto e projetar um novo Alentejo. Um evento que ajuda a afirmar a presença do Alentejo no mapa da ciência e da inovação, a atrair talentos, a fomentar start-ups e a inspirar uma geração que vê aqui um lugar para criar, inovar e construir um futuro”.












