«Mais do que um simples intercâmbio artístico, são pontes que aproximam dois territórios periféricos da Península Ibérica», diz diretor-geral do Terras sem Sombra (TSS), José António Falcão, acrescentando que «o diálogo entre o cante alentejano, o canto asturiano, a gaita e outros instrumentos tradicionais evidencia afinidades inesperadas entre culturas aparentemente distantes, mas unidas por formas de transmissão oral, práticas comunitárias e patrimónios enraizados no mundo rural».
O momento central do programa será o concerto «Cante e Canto: ao Encontro das Tradições Musicais do Alentejo e das Astúrias», no dia 31 de maio, às 13h30 (hora espanhola), no Centro Social La Caballería, em Soto de Ribera. O espetáculo aproxima o cante alentejano da tonada asturiana e da gaita-de-foles.
Do lado português, o Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento, uma das formações históricas do cante, fundado em 1986 a partir da recuperação espontânea do hábito de cantar em grupo nas tabernas da aldeia.
Com 35 elementos, a formação mantém vivo o repertório tradicional ligado ao trabalho agrícola e apresenta-se regularmente em Portugal e no estrangeiro. O cante alentejano é classificado pela Unesco como Património Cultural Imaterial da Humanidade. Nas Astúrias, o rancho atuará sob a direção musical de Pedro Mestre, «um dos mais destacados intérpretes e divulgadores da viola campaniça».
Do lado asturiano estará Vicente Prado Suárez, «El Pravianu», figura emblemática da música tradicional das Astúrias, acompanhado por artistas da Asociación de Intérpretes de Canción Asturiana (AICA), entidade dedicada à preservação e divulgação da tonada e da música tradicional da região.
Com mais de quatro décadas dedicadas ao património musical asturiano como intérprete, investigador, professor e construtor artesanal de gaitas, «El Pravianu» levou o repertório popular das Astúrias a festivais internacionais e comunidades emigrantes de vários países, tendo-se apresentado perante os reis de Espanha.
Na tarde de 30 de maio, às 18h00 (hora espanhola), o programa inclui a atividade «Preservar a Arquitectura Tradicional: Hórreos e Espigueiros», dedicada aos «hórreos» de Bueño — construções tradicionais elevadas sobre pilares, análogas aos espigueiros portugueses, que constituem uma das imagens mais emblemáticas da paisagem rural do Norte ibérico. A visita inclui o Centro de Interpretação do Hórreo, a Central Artística de Bueño e a Casa de las Artes y las Ciencias.
Na manhã de 31 de maio, às 10h45 (hora espanhola), o passeio «Olhares que se Cruzam: A Biodiversidade no Vale do Rio Nalón» reunirá cientistas portugueses e espanhóis num percurso pelos rios Nalón e Caudal, com orientação de especialistas ligados ao estudo da fauna e da flora. Entre as 13h00 e as 17h00, o Centro Social La Caballería acolhe ainda um mercado ibérico dedicado aos produtos portugueses e à marca asturiana «Alimentos del Paraíso».
O alcaide de Ribera de Arriba, Tomás Manuel Muñiz, considera o TSS «um poderoso motor cultural de carácter local, regional e nacional» e descreve a iniciativa como «uma oportunidade histórica» para o seu concelho se mostrar ao mundo, por via de um projeto que vai além da música, «promovendo a troca de experiências, saberes e a afirmação de projetos que visam o desenvolvimento mútuo».












