Fonte do Terras sem Sombra (TSS) assinala que a assinatura do acordo insere-se “num momento estratégico para os territórios de baixa densidade do interior ibérico, num horizonte marcado por iniciativas de dimensão europeia” como a Mostra Espanha 2026, a Mostra Portugal 2027, Évora Capital Europeia da Cultura 2027 e as comemorações do Ano Beethoven, sublinhando o papel da cultura “como instrumento de coesão e afirmação internacional”.
O acordo foi subscrito pela Sociedade Filarmónica de Badajoz, entidade organizadora do Festival Ibérico de Música de Badajoz, representada pelo seu presidente, Javier González Pereira, e pela Pedra Angular – Associação de Salvaguarda do Património do Alentejo, responsável pelo Festival Terras sem Sombra, representada pelo presidente da direção, José António Falcão.
No âmbito desta parceria, os dois festivais comprometem-se a desenvolver atividades conjuntas de caráter plurianual, incluindo a preparação de candidaturas a fundos europeus, nacionais e regionais, bem como projetos comuns de programação, investigação e edição. O acordo prevê ainda a promoção de iniciativas de valorização da música e do património musicológico e a divulgação de autores, intérpretes e musicólogos de referência da Extremadura, do Alentejo e do Ribatejo.
Criado em 1973, o Festival Ibérico de Música de Badajoz realiza-se anualmente nos meses de maio e junho e reúne músicos espanhóis, portugueses e internacionais. A sua programação percorre diferentes épocas e estilos, da música medieval à criação contemporânea, incluindo jazz, com particular atenção à música de câmara e à presença de intérpretes da Extremadura e de Portugal. O FIMB afirma-se como o único evento transfronteiriço do género, sendo uma referência no panorama musical da Península Ibérica.
Já o Festival Terras sem Sombra, fundado em 2003, é um projecto itinerante da sociedade civil que promove a descentralização cultural e a valorização do Alentejo e do Ribatejo enquanto territórios de excelência musical, cultural e patrimonial. A sua programação integra concertos de música erudita, master classes, conferências, visitas ao património e acções de salvaguarda da biodiversidade, articulando criação contemporânea, património histórico, ciência e sustentabilidade.
A assinatura do acordo contou com a presença de diversas entidades, entre as quais a vice-presidente da CCDR do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, e o presidente do Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Santos.





“Estas manifestações culturais” – sublinha a organização do TSS – “revelam capacidade de projeção à escala europeia, demonstrando que a cooperação também nasce, e ao mais alto nível, longe das capitais. Em simultâneo, preservam identidades, memórias, caráter e modos de estar que definem os povos e os seus territórios. É nesse equilíbrio entre pertença local e abertura ao mundo que a cultura cumpre um papel político, social e económico maior”.
A presença do Festival Terras sem Sombra em Badajoz, consubstanciou-se ainda num espetáculo com a presença do Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento e a participação de Pedro Mestre na viola campaniça, encerrando assim a 21.ª temporada, este ano subordinada ao tema “Autoras, Intérpretes, Musas: O Eterno Feminino e a Condição da Mulher na Música (Séculos XIII-XXI)”.
O vasto programa de 2025 percorreu, entre março e dezembro, diversos concelhos alentejanos — abrangendo o Alto Alentejo, o Alentejo Central, o Baixo Alentejo e o Alentejo Litoral, bem como os quatro distritos da região (Portalegre, Évora, Beja e Setúbal) —, assim como o concelho ribatejano de Coruche, na subrregião da Lezíria do Tejo (distrito de Santarém), e, agora, Badajoz.
Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: D.R.











