Terras sem Sombra promove inclusão pela cultura em 13 concelhos alentejanos

O Festival Terras sem Sombra arranca no próximo dia 28 de fevereiro, com a integração das comunidades migrantes através da música como um dos eixos centrais da sua 22.ª edição, que vai passar por 13 concelhos do Alentejo e um de Espanha, cruzando concertos, património e ambiente sob o mote “Alegres Campos, Verdes Arvoredos: Música e Biosfera”.

O Terras sem Sombra orienta-se “em dois eixos estruturantes, o território e a sociedade civil”, estando assim as comunidades migrantes em foco, diz o diretor-geral do festival, José António Falcão, sublinhando a cultura como “agente de transformação da sociedade”.

“Neste caso, [a cultura como agente de] algo que é muito necessário, que é a integração das comunidades migrantes. Não estamos a falar de algo superficial ou de uma brincadeira. É uma necessidade objetiva da nossa sociedade. Nós precisamos, até como território, da presença destas comunidades. A cultura pode ajudar através do mútuo conhecimento a estabelecer pontes muito interessantes”, acrescenta.

Esta edição do festival contempla assim uma produção da obra normalmente aberta ao público mais novo, “O Carnaval dos Animais”, de Camille Saint-Saëns, que desta vez se presta à abordagem de diferentes culturas, permitida pela colaboração das comunidades migrantes. O espectáculo está anunciado para 18 de abril, no lagar da Herdade do Marmelo, em Figueira dos Cavaleiros, Ferreira do Alentejo.

Esta 22.ª edição do Terras sem Sombra, a decorrer de fevereiro a dezembro, tem o mote “Alegres Campos, Verdes Arvoredos: Música e Biosfera (Da Idade Média à Criação Contemporânea)”. A celebração dos 500 anos de Luís Vaz de Camões e o estabelecimento de “um fio condutor entre a arte e a natureza” marcam o programa, disse o responsável.

José António Falcão realça a “colaboração há algum tempo” com a Polónia, país convidado desta edição, nomeadamente através da Associação dos Compositores de Música de Câmara, que considera infraestruturante, permitindo “pensar a Europa em conjunto”. O anterior país convidado foi a República das Filipinas.

Através desta parceria, afirma, o Festival está também a posicionar-se “para que o Alentejo possa ter na Capital Europeia da Cultura [Évora 2027] a irradiação que todos esperamos”.

O Terras sem Sombra abrirá no próximo dia 28 de fevereiro, em Arroches, e acontecerá também no Ribatejo, em Coruche, nos dias 11 e 12 de julho, e além-fronteiras, em Espanha, nos dias 30 e 31 de maio, em Ribera de Arriba, próximo de Oviedo, na região das Astúrias. 

Além dos concelhos alentejanos, haverá ainda um “concelho mistério”, a revelar posteriormente.

A direção artística desta edição “é um comissariado” de voluntários, incluindo José António Falcão, depois do anterior diretor artístico, o crítico musical espanhol Juan Miguel Ángel Vela del Campo, que em 2015 sucedeu no cargo a Paolo Pinamonti, ex-diretor do Teatro Nacional de S. Carlos, se ter jubilado.

O Terras sem Sombra mantém o modelo habitual: em cada concelho realiza-se um concerto de música erudita, uma visita guiada ao património e uma atividade ambiental.

A programação, ainda a definir na totalidade, prevê a apresentação da ópera “Maria Stuart”, de Martin Hennessy, no dia 21 de novembro, no Teatro Pax Julia, em Beja, pela Companhia de Ópera LaJoven, de Espanha. Ao todo, prevê cerca de 20 atividades musicais, com “especial atenção” na criação e renovação de público para a música erudita.

Este ano volta a ser atribuído o Prémio Internacional Terras sem Sombra, depois da interrupção em 2020. O objetivo é homenagear uma personalidade ou instituição, cujo trabalho se tenha salientado a nível global, em cada uma das áreas do festival: promoção da música, valorização do património cultural e salvaguarda da biodiversidade.

A entrega do prémio está prevista para o dia 28 de março, no Auditório Municipal António Chainho, em Santiago do Cacém.

Os anteriores distinguidos, em 2019, foram a cantora espanhola Carmen Liñares, na música, o arquiteto e artista plástico português João de Almeida, em património cultural, e o Jardim Botânico Nacional Grandvaux Barbosa, de Cabo Verde, na salvaguarda da biodiversidade.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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