Segundo fonte da organização, «O Carnaval dos Animais – Peça para Dois Pianos e Orquestra» é uma produção que «convoca uma dimensão cénica» e envolve músicos, crianças, jovens e população sénior, num projeto que articula criação artística e participação comunitária.
O espetáculo integra também teatro, com narração a cargo do Grupo de Teatro Ritété, e resulta de um trabalho prévio desenvolvido com escolas locais, cujos alunos contribuíram para o universo visual da apresentação.
A direção musical está a cargo da pianista belga Eliane Reyes, que divide o piano com a portuguesa Luísa Tender, acompanhadas por um ensemble de músicos nacionais e internacionais. A organização sublinha que a iniciativa reúne «música, teatro e comunidade» num formato pensado para aproximar públicos diversos.
De acordo com a mesma fonte, o espetáculo destaca-se ainda pela participação direta da comunidade local, com crianças e jovens a integrarem a componente cénica, dando corpo às figuras do imaginário da obra. A presença de diferentes gerações em palco pretende, segundo o Terras sem Sombra, reforçar a dimensão inclusiva e pedagógica do projeto.
O concerto decorre num espaço projetado pelo arquiteto Ricardo Bak Gordon, cuja integração na paisagem envolvente é apontada pela organização como elemento que valoriza a experiência artística, cruzando música, arquitetura e território. Todas as atividades são de acesso livre e gratuito.
A anteceder o espetáculo, o Festival promove, na tarde deste sábado, a partir das 15h00, uma atividade de património cultural intitulada «Dos Pedreirinhos a São Pedro: Histórias da Vila de Ferreira do Alentejo». Com início na igreja de Nossa Senhora da Conceição, a visita é orientada por Maria João Pina, diretora do Museu Municipal de Ferreira, e conta ainda com a participação de António Ramos, Jorge Colaço e José António Falcão, numa abordagem que cruza diferentes perspetivas sobre a história local.
Segundo fonte da organização, o percurso propõe uma leitura da evolução da vila a partir de dois eixos centrais: o núcleo dos Pedreirinhos, associado às primeiras formas de fixação populacional e à extração de pedra, e a ermida de São Pedro, espaço marcante da vida religiosa e comunitária.
Entre estes pontos constrói-se uma narrativa ligada ao trabalho agrícola, à circulação de pessoas e às transformações económicas do Baixo Alentejo, incluindo referências à tradição que atribui a uma imagem de Nossa Senhora a origem num navegador ligado à viagem de Vasco da Gama.
A programação deste fim de semana encerra domingo, a partir das 9h30, com uma atividade dedicada à biodiversidade e ao passado geológico da região, sob o tema «Ontem um Oceano, Hoje um Rio: Tubarões e Raias Fósseis na Bacia de Alvalade». Com ponto de encontro na igreja de Nossa Senhora da Conceição, a iniciativa é orientada por Ausenda Balbino Cáceres, paleontóloga e professora da Universidade de Évora, proporcionando uma leitura científica da evolução do território.
Segundo a organização, a Bacia de Alvalade conserva vestígios de um período em que o atual Baixo Alentejo esteve submerso por mares pouco profundos, com sedimentos datados do Miocénico, entre 23 e cinco milhões de anos. Os fósseis encontrados, sobretudo dentes de tubarões e raias, permitem reconstituir ambientes costeiros antigos e compreender a evolução das espécies.
O Terras sem Sombra prossegue depois, a 2 e 3 de maio, no concelho de Grândola, com o concerto «Fragmentos do Eu: Oito Vozes, uma Alma», pelo ensemble vocal polaco Art’n’Voices.
Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: D.R.












