A Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal (CCT) diz que as recentes posições da ministra do Ambiente «espantaram» os trabalhadores, sustentando que as declarações iniciais de entusiasmo em relação ao negócio vieram confirmar, na sua perspetiva, que «os equivocados foram aqueles que acreditaram» que a governante cumpriria um mandato orientado para a defesa do país.
A estrutura representativa dos trabalhadores acusa o Governo de desvalorizar a importância estratégica da refinaria de Sines, que considera um ativo essencial para a soberania energética e para o desenvolvimento económico nacional.
No mesmo texto, a CCT critica o que descreve como «argumentos desprovidos de fundamento lógico ou factual» por parte do Governo, acusando-o de se demitir das suas responsabilidades.
A reação dos trabalhadores surge após uma entrevista ao jornal ECO, em 28 de abril, na qual a ministra considerou que a operação entre a Galp e a Moeve poderá ser positiva para o setor energético e para a dimensão da empresa portuguesa.
Maria da Graça Carvalho afirmou que o Governo está convencido das vantagens do acordo, sublinhando que a criação de um grupo de maior escala pode reforçar o investimento, o emprego e a capacidade competitiva num contexto internacional exigente.
A ministra desvalorizou preocupações quanto à perda de soberania energética, argumentando que a operação permitirá à Galp ganhar acesso a outras refinarias e integrar um grupo mais forte na Península Ibérica.
Neste contexto, os trabalhadores sublinham que apresentaram propostas fundamentadas a várias entidades, incluindo ao primeiro-ministro e à ministra do Ambiente, sem terem obtido qualquer resposta.
Tendo em conta o atual panorama internacional, marcado por tensões geopolíticas e perturbações no fornecimento energético, os trabalhadores defendem que estes fatores reforçam a necessidade de preservar a capacidade de refinação no país.
A CCT recorda igualmente o encerramento da refinaria do Porto, que atribui a decisões políticas, alertando para o risco de repetição de cenários que, no seu entender, fragilizam a autonomia energética nacional.
Neste sentido, a comissão apela à intervenção do Presidente da República, António José Seguro, pedindo uma ação «decisiva e urgente» para travar um negócio que considera lesivo do interesse nacional, face ao que classifica como «inação e silêncio cúmplice do Governo».
Em 08 de janeiro, a Galp e a Moeve anunciaram um acordo para avançar para a potencial integração dos seus negócios de refinação e processamento de petróleo (downstream) na Península Ibérica, criando duas plataformas energéticas europeias: uma industrial e outra focada na mobilidade.













Uma resposta
Se não perdermos a Autonomia e permanecermos com o capital superior à 70% é bem vinda numa situação de modernidade desenvolvimento sustentável é positivo.