O projeto é coordenado por Sílvia Ribeiro, investigadora principal do Instituto Mediterrâneo para Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED) da UE.
A intervenção prevê a remoção de dois antigos açudes desativados, situados nas proximidades da ponte romana de Segura, no concelho de Idanha-a-Nova. Estas estruturas constituem atualmente as únicas barreiras existentes ao longo de cerca de 70 quilómetros do rio Erges, entre a sua confluência com o rio Tejo e o obstáculo localizado a montante, no município espanhol de Cilleros.
Ao eliminar estes obstáculos, será restabelecido o fluxo natural da água e dos sedimentos, promovendo a recuperação da dinâmica fluvial e facilitando a deslocação das espécies aquáticas ao longo do rio e dos seus afluentes, sendo a ictiofauna uma das principais beneficiárias. Segundo os investigadores da UE, «a intervenção contribuirá ainda para melhorar o estado ecológico deste sistema fluvial e reforçar a conectividade com o rio Tejo».
Entre os primeiros resultados do trabalho de monitorização já iniciado, destaca-se o registo de exemplares de verdemã-do-Alagón (Cobitis vettonica), identificados pela equipa do Serviço de Pesca da Junta de Extremadura. Trata-se de uma espécie endémica ameaçada de extinção e particularmente sensível à fragmentação dos cursos de água e à alteração do leito fluvial, cuja presença reforça a importância ecológica da intervenção.
A Universidade de Évora integra o consórcio do projeto juntamente com a Universidade Politécnica de Madrid e as empresas de engenharia Ambienta e EcoSalix, colaborando no desenvolvimento das soluções técnicas e dos estudos científicos que suportam a intervenção.
Antes do início da obra foram realizadas visitas técnicas ao local, em maio e em junho de 2025, que reuniram os parceiros e as entidades competentes dos dois países para avaliar as soluções de restauro e consolidar um consenso institucional em torno da intervenção.
Segundo a coordenação do projeto, «daquelas ações resultou o desenvolvimento de um projeto técnico que concilia a recuperação da conectividade fluvial com a preservação do património cultural existente», nomeadamente dos antigos moinhos associados aos açudes, além do diálogo com as comunidades locais, incluindo os proprietários dos terrenos adjacentes e as administrações municipais.
Em paralelo, foram desenvolvidos estudos de hidrologia, flora, habitats, avifauna e património cultural, tendo sido implementado um programa de monitorização ecológica — com indicadores como a ictiofauna, os macroinvertebrados, os macrófitos e a qualidade da água — que permitirá avaliar os efeitos da intervenção antes e após a sua execução.
«Com esta intervenção, o LIFE Alnus Taejo continua a avançar na recuperação dos ecossistemas fluviais da bacia do Tejo, através de soluções que articulam engenharia, restauro ecológico e conservação do património natural e cultural, contribuindo para melhorar o estado de conservação dos bosques aluviais e da biodiversidade associada», diz Sílvia Ribeiro.










