Uma em cada três crianças de Évora tem excesso de peso ou obesidade

Um estudo sobre saúde e bem-estar infantil no concelho de Évora concluiu que 32% por cento das crianças apresentam excesso de peso ou obesidade, um cenário que os investigadores consideram preocupante e dizem estar associado a estilos de vida pouco saudáveis, como baixa ingestão de hortícolas, reduzida atividade física e demasiado tempo de ecrã.

Desenvolvido pela Universidade de Évora (UÉ), em colaboração com a Nova Medical School, em Lisboa, o estudo integra o projeto Run Up, que pretende analisar a saúde das crianças no Alentejo e promover-lhes mudanças positivas.

Em comunicado, a UÉ explica que “foram recrutadas 1.322 crianças dos quatro agrupamentos de escolas de Évora” para integrarem este estudo, “das quais 845 aceitaram participar”.

Além de questionários preenchidos pelos pais/encarregados de educação sobre hábitos de atividade física, sono, tempo de ecrã, alimentação e indicadores de saúde mental, foram ainda realizadas medições antropométricas e testes de competência motora em contexto escolar.

A conclusão é que a prevalência de excesso de peso e obesidade, de acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde, foi de 32%. No que respeita à alimentação, 38,7% das crianças consomem snacks doces e salgados, como bolos, chocolates ou batatas fritas de pacote, “quatro ou mais vezes por semana”, e 18,6% ingerem refrigerantes ou sumos açucarados com igual frequência.

“Além disso” – prossegue a mesma fonte – “57,5% consomem hortícolas de folha apenas três ou menos vezes por semana. Relativamente à atividade física, 63% das crianças não cumprem as duas horas diárias de brincadeira ativa recomendadas pela Academia Americana de Pediatria durante a semana e 23% não o fazem ao fim de semana”.

No documento é referido que 18% dos inquiridos dorme, durante a semana, menos do que as nove a 12 horas recomendadas, percentagem para durante o fim de semana baixa para 9%.

“No que diz respeito ao tempo de ecrã, 47% passam mais de uma hora por dia em frente a dispositivos eletrónicos e 8% excedem as três horas diárias”, prossegue a Universidade, referindo que, segundo o estudo, a competência motora média “situou-se no percentil 50” e, no domínio da saúde mental, hiperatividade e problemas emocionais foram as “dificuldades mais prevalentes”.

“Os resultados do Run Up indicam que estilos de vida pouco saudáveis estão fortemente associados a níveis mais baixos de competência motora. Crianças com menor competência motora apresentaram peso, percentil de índice de massa corporal e perímetro da cintura significativamente mais elevados”, alertam os especialistas.

Citada no documento, a investigadora principal do Run Up e docente do departamento de desporto e saúde da UÉ, Gabriela Almeida, considera que os resultados do estudo oferecem uma “fotografia” detalhada da saúde das crianças, “permitindo compreender” os principais desafios que enfrentam no futuro.

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