Universidade de Évora distingue Maria João Pires com Honoris Causa

Segundo a Universidade de Évora (cujo atual reitor, António Candeias, tomou posse esta segunda-feira), a cerimónia vai ter lugar a partir das 15h00 do dia 27, na Sala dos Actos, no Colégio Espírito Santo.

O discurso laudatório vai ser proferido por Ana Telles, também pianista, ex-vice-reitora para a Cultura na reitoria no mandato que agora terminou e antiga diretora da Escola de Artes da UÉ, acrescentou.

A proposta para atribuição deste doutoramento Honoris Causa à pianista Maria João Pires foi da iniciativa da antiga equipa reitorial, assumiu fonte da academia.

A 1 de novembro de 2025, Maria João Pires, de 81 anos, anunciou ter terminado a sua carreira como intérprete, depois de, em junho desse ano, ter sofrido um problema de saúde que a afastou dos palcos, afirmando estar, então, num «processo de mudança radical».

Esse anúncio foi feito no discurso de agradecimento do prémio Helena Vaz da Silva, entregue numa cerimónia na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, tendo a artista afirmado que adoeceu porque tentou «ultrapassar-se e ir até limites proibidos».

«Agora encontro-me num processo de mudança radical, numa procura de verdade, verdades, num caminho de aceitação, talvez de compreensão daquilo que nunca aceitei antes. É bom pensar que o futuro é incerto, desconhecido, talvez surpreendente», disse.

A mais conhecida de todas as pianistas portuguesas referiu igualmente: «Essa incerteza coloca-nos a todos num estado de insegurança, só que muitas vezes criativa. A segurança afinal não abre assim tantas portas, talvez até nos feche uma maior compreensão do universo e do infinito».

Nascida em Lisboa, em 23 de julho de 1944, Maria João Pires começou a tocar piano com 3 anos, idade em que diz ter-se apaixonado pela música.

A artista, uma premiada intérprete de Schubert, compositor com que também foi nomeada para os Grammy, é a mais internacional e reputada dos pianistas portugueses, com um percurso artístico que remonta a finais dos anos de 1940, quando se apresentou pela primeira vez em público, aos 4 anos.

Entre os prémios conquistados pelo talento artístico contam-se o primeiro prémio do concurso internacional Beethoven (1970), o prémio do Conselho Internacional da Música, pertencente à organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, 1970) e o Prémio Pessoa (1989).

A 1 de novembro do ano passado, na Fundação Calouste Gulbenkian, foi distinguida com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural.

«Este reconhecimento europeu presta homenagem à excecional contribuição de uma das maiores pianistas do nosso tempo para a promoção do património cultural e dos valores europeus», justificou o Centro Nacional de Cultura (CNC), em setembro de 2025, aquando do anúncio.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Casa de América (Creative Commons)

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