“Muitas destas comunidades vivem em territórios onde o acesso a bens essenciais é escasso ou inexistente. O nosso objetivo é compreender como estas limitações afetam a saúde e o bem-estar das populações rurais e como podemos apoiar a criação de respostas mais eficazes, baseadas em dados contextuais, que possam informar políticas públicas e planos de intervenção territorial”, explica Jorge Bravo, docente do Departamento de Desporto e Saúde da Universidade de Évora e investigador do Comprehensive Health Research Centre (CHRC).
Coordenado pela Universidad de Zaragoza (Espanha), o projeto DESERT – Diet and Exercise Strategies for Equity in Rural Territories tem duração prevista até 2027 e abrange três regiões específicas: a província de Teruel, em Espanha, o Alto Alentejo e a Anatólia Central, na Turquia, “onde a potencial escassez de recursos e a fragmentação dos serviços impõem barreiras estruturais à saúde das populações”.
Fonte da UÉ indica que “os designados desertos de serviços humanos — áreas onde a população enfrenta barreiras significativas ao acesso a saúde, educação, assistência social ou telecomunicações — têm vindo a ganhar relevância científica, especialmente após a pandemia de covid-19 ter exposto fragilidades profundas destas regiões”.
Ainda de acordo com a UÉ, “através de metodologias robustas e da colaboração com agentes locais, a equipa de investigação irá analisar barreiras e propostas estratégias intersectoriais que contribuam para o reforço do investimento, da infraestrutura e dos serviços nas regiões estudadas”.
O DESERT pretende, assim, ir além do mapeamento básico e desenvolver perfis detalhados que permitam informar políticas públicas e orientar investimentos em serviços essenciais. “Estamos a trabalhar com comunidades que têm sido sistematicamente subfinanciadas. Queremos produzir conhecimento que tenha impacto real, que ajude a colocar estas populações na agenda política”, sublinha Jorge Bravo.
Entre os principais objetivos, destaca-se ainda a definição e operacionalização do conceito de “deserto de exercício físico”, contribuindo para a criação de estratégias de promoção da saúde e de equidade social nas comunidades rurais do Sul da Europa. “A prática de atividade física depende fortemente do ambiente construído. Se não houver espaços seguros, acessíveis e próximos, as pessoas simplesmente não conseguem integrar exercício na sua rotina, o que aumenta o risco de doenças crónicas”, acrescenta o investigador.
“Esperamos” – prossegue – “que os resultados deste trabalho ajudem a orientar políticas públicas e atrair recursos para reduzir desigualdades territoriais, melhorando as condições de acesso a diversidade nutricional e à oferta de programas formais de exercício físico”.
Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: Nuno Veiga/Lusa/Arquivo











