Questionado pela agência Lusa sobre o ponto de situação deste processo, o reitor da UE, António Candeias, indicou que a universidade irá reestruturar a proposta e criar parcerias «para que o curso também tenha sustentabilidade». O objetivo é submeter até março uma nova proposta à Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES).
«Estamos a constituir o grupo de trabalho, também um grupo estratégico de acompanhamento», referiu, assinalando estes primeiros passos ligados à reformulação do projeto. «Esperamos que seja uma candidatura mais consistente, mais alinhada com aquilo que são os desafios do ensino e também da própria região», argumentou.
A expectativa é que «isso, depois, seja valorizado pela agência [A3ES] e pela equipa de avaliadores», disse António Candeias, acrescentando que acredita na aprovação: «Estou convencido de que vamos ser bem-sucedidos.»
Esta prioridade já tinha sido sinalizada pelo reitor da UE na sua primeira grande entrevista, à Alentejo Ilustrado, em junho deste ano.
Meses antes, em abril, a A3ES anunciava a decisão de chumbar a criação do Mestrado Integrado em Medicina na Universidade de Évora, por a proposta não cumprir «plenamente critérios essenciais».
Esse foi o segundo chumbo por parte da agência, já que, pouco mais de um ano antes, uma primeira proposta para abrir este curso na academia alentejana tinha sido igualmente reprovada, tendo então a UE revelado a intenção de reformular e submeter novo projeto.
Na segunda deliberação, datada de 25 de fevereiro deste ano, a A3ES explicou que o conselho de administração decidiu não acreditar este ciclo de estudos em concordância com a recomendação e fundamentação da Comissão de Avaliação Externa e tendo em conta o parecer desfavorável da Ordem dos Médicos (OM).
Na altura, a A3ES apontou quatro aspetos centrais, nomeadamente que a sustentabilidade do programa era «incerta a curto e longo prazo, especialmente no referente a infraestruturas e recursos humanos — docentes e não docentes — e financeiros».
«O corpo docente é insuficiente e desigualmente qualificado», aludiu também, acrescentando não observar «medidas ativas de desenvolvimento de um plano docente estruturado ou de estruturas de governação que assegurem a formação pedagógica dos docentes e a integração entre ensino e investigação».
O outro aspeto referido foi a «falta de infraestruturas essenciais, nomeadamente um hospital universitário central completamente funcional e adaptado à formação clínica».
Acrescentou ainda que «as instalações de simulação clínica propostas são inadequadas», devido, por exemplo, a um défice «de pessoal e inexistência de planos de atualização e formação de docentes e estudantes».










