UPPortalegre prepara candidaturas de 26 milhões a fundos europeus

A Universidade Politécnica de Portalegre (UPPortalegre) prevê submeter sete candidaturas ao Horizonte Europa até junho de 2028. O financiamento total em causa poderá superar os 26 milhões de euros.

Luís Godinho (texto)

Para «reforçar a presença da investigação da UPPortalegre «no espaço europeu», a instituição lançou o projeto IPP Impact, com o objetivo de apostar «na internacionalização, na criação de novas redes de cooperação e na preparação de candidaturas a financiamento europeu»

A ideia é continuar a afirmar a universidade «como referência na investigação orientada para os desafios dos territórios de baixa densidade».

Paulo Ferreira, pró-reitor para a Investigação, Inovação e Transferência de Tecnologia da UPPortalegre, explica em entrevista à Alentejo Ilustrado que a meta é «aumentar ainda mais a internacionalização da investigação da universidade», que tem atualmente oito projetos do Horizonte Europa em execução e dois já aprovados, a arrancar em 2027.

A aposta, lembra, «já não é nova»: no passado, um projeto de cariz idêntico ao do IPP Impact permitiu várias candidaturas que resultaram em cerca de 7,7 milhões de euros de financiamento europeu, aproximadamente 1,5 milhões dos quais destinados ao território.

O projeto IPP IMPACT prevê a submissão de sete candidaturas ao Horizonte Europa até junho de 2028. Que dimensão de financiamento poderá estar em causa e que resultados considera realista alcançar com estas candidaturas?

A dimensão do financiamento pode ser variável, tendo em conta a tipologia de projetos a candidatar e os próprios avisos. Neste momento a universidade está a trabalhar numa candidatura, no âmbito deste projeto, com um orçamento a rondar os 3,75 milhões de euros, dos quais cerca de 315 mil euros serão orçamentados para a UPPortalegre. Se os valores dos sete projetos forem semelhantes, o financiamento total submetido poderá superar os 26 milhões de euros, com o orçamento da universidade a superar os 2,2 milhões de euros. Estes valores poderão ser diferentes, em função das candidaturas apresentadas, estando nesta fase a ser discutida internamente as restantes candidaturas. No que diz respeito aos resultados, existem metas definidas no âmbito do projeto, sendo que conjugando essas metas com o histórico de aprovação das nossas candidaturas passadas e as médias da própria União Europeia, esperamos poder aprovar entre 3 a 5 projetos.

Qual é atualmente a participação da Politécnica de Portalegre em projetos europeus de investigação e em que medida o IPP IMPACT representa uma mudança de escala na internacionalização da instituição?

Atualmente temos oito projetos em execução com financiamento do Horizonte Europa, e dois projetos já aprovados, com execução a iniciar em 2027, além de vários projetos internacionais financiados pela Agência Erasmus+ e pelo POCTEP (no total, dez projetos atualmente em execução). Este projeto IMPACT tem como principal objetivo aumentar ainda mais a internacionalização da investigação da universidade, alicerçada nas duas unidades de investigação com financiamento aprovado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Em que áreas científicas considera que Portalegre tem hoje melhores condições para se afirmar e competir em consórcios europeus?

As nossas áreas científicas de referência estão alinhadas com o VALORIZA e o CARE, as duas unidades de investigação com financiamento da FCT. Vão da bioenergia e valorização de resíduos – o desenvolvimento de tecnologias para hidrogénio e gases renováveis e de biocombustíveis avançados constituem áreas com profundas oportunidades – à produção sustentável e ambiente, da economia circular à saúde, do território (turismo, desenvolvimento sustentável e bem-estar em territórios de baixa densidade) à intervenção e inovação social e educacional.

Pergunto-lhe que parceiros e redes internacionais se pretende mobilizar e se existe já algum trabalho desenvolvido para integrar a Universidade em futuros consórcios do Horizonte Europa?

As parcerias não estão definidas à partida, resultando, por um lado, dos diferentes contactos que vão sendo efetuados pelos investigadores e que são fruto da sua atividade e, por outro, pelo histórico do trabalho e candidaturas já apresentadas. Recentemente, a Universidade Politécnica de Portalegre obteve confirmação da aprovação de financiamento pela participação na EU4Dual, tornando-se o décimo parceiro desta Aliança Europeia apoiada pela Comissão Europeia, que tem como objetivo central integrar a aprendizagem académica com uma formação prática em contexto de trabalho, através de programas de educação dual. Com a adesão à EU4Dual, a rede de parcerias alarga-se não só a estes membros mas também aos seus próprios parceiros.

De que forma esta aposta na investigação de dimensão europeia poderá produzir resultados concretos para o Alentejo e, em particular, para os territórios de baixa densidade?

Em termos genéricos, a aposta em investigação de dimensão europeia pode gerar impactos tangíveis, tais como projetos piloto e de demonstração no território, capacitação institucional e empresarial, capacidade de apoio no desenho de políticas públicas e a projeção internacional da UPPortalegre. De resto, a aposta em investigação internacional já não é nova nesta casa que, no passado, já teve oportunidade de aceder a um financiamento de cariz semelhante. Na altura a UPP viu aprovado um projeto para a partilha europeia de estratégias de valorização de recursos endógenos que, com um custo elegível de 79 mil euros permitiu diversas candidaturas a projetos, resultando num financiamento europeu a diferentes projetos de cerca de 7,7 milhões de euros, com uma componente para o território de aproximadamente 1,5 milhões de euros.

Para além das sete candidaturas previstas, que indicadores permitirão avaliar, em 2028, se o IPP IMPACT conseguiu reforçar de forma duradoura a capacidade científica e a internacionalização da Universidade?

Naturalmente que os indicadores de financiamento relacionados com o número de projetos internacionais aprovados com participação da Universidade bem como o volume total de financiamento captado são relevantes, com os consequentes indicadores de produção científica associados. No entanto, são também relevantes outros benefícios de cariz intangível, tal como a inclusão em novas redes e parcerias, bem como a capacitação dos próprios investigadores da UPP ao nível do trabalho em candidaturas de projetos, permitindo que, a longo prazo, se continuem a ter projetos aprovados.

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