Em comunicado, a comissão aludiu à visita do primeiro-ministro, Luís Montenegro, na quinta-feira, à Ovibeja, alegando que o chefe do Governo «procurou minimizar a justa indignação das populações dos concelhos (mal) servidos pela Linha do Alentejo».
Nesse evento, em que decorreu também um Conselho de Ministros, Luís Montenegro prometeu «que três das novas automotoras Stadler 2700 que o fabricante já começou a entregar à CP serão destinadas às ligações Beja-Lisboa-Beja», recordou a comissão, acrescentando que o primeiro-ministro anunciou que «a primeira unidade entrará ao serviço em janeiro de 2027, a segunda em fevereiro e a terceira em março» do próximo ano.
Só que, para a comissão, «o problema é que os utentes da Linha do Alentejo, particularmente os que viajam no troço Casa Branca-Beja, precisam de uma solução para ontem».
«Não passa um único dia sem que ocorra um incidente qualquer com as vetustas automotoras ‘diesel’ que, com muita dificuldade, lá se vão arrastando. Os frequentes atrasos, muitas vezes de horas, levam os passageiros ao desespero», argumentou a comissão.
A título de exemplo, a estrutura aludiu a dois incidentes ocorridos ontem, ambos no troço Beja-Casa Branca, e noticiados pela Alentejo Ilustrado.
Lucília Lampreia, da comissão de utentes, explica que «a automotora das 06h23 já chegou a Casa Branca [no concelho de Montemor-o-Novo, meia hora atrasada e avariou, não podendo seguir para Beja».
Por isso, não houve automotora para sair de Beja às 08h22 e os passageiros foram transportados de autocarro em direção a Casa Branca, para apanhar o Intercidades Évora-Lisboa. O autocarro encontrou uma estrada cortada por obras e «andou perdido», pelo que o Intercidades esperou mais de hora e meia em Casa Branca e acabou por partir sem os passageiros de Beja.
O segundo episódio aconteceu com «a automotora que saiu de Beja às 10h45 e, a cerca de cinco quilómetros da estação ferroviária de Casa Branca, avariou. Ali ficou com os passageiros uma data de tempo parada, no meio do campo».
O Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Central disse ter recebido, às 12h34, o alerta para um comboio com passageiros avariado na linha, antes de chegar a Casa Branca, tendo sido rebocado até essa estação às 15h42.
Segundo a Comissão de Utentes, entre os passageiros «havia pessoas que aguardavam há um ano uma consulta no hospital em Lisboa e a quem ninguém conseguiu dar uma alternativa em tempo útil».
A comissão manifestou também preocupação com uma informação divulgada pelo Sindicato dos Maquinistas à Administração da CP, na qual a estrutura sindical alega que os novos comboios em aquisição são, «em aspetos essenciais, menos funcionais e menos seguros do que o material atualmente em serviço».
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.












