Utentes do litoral alentejano exigem maternidade e médico de família

As Comissões de Utentes do Litoral Alentejano exigem a construção de uma maternidade no hospital do Litoral Alentejano (HLA) e médico e enfermeiro de família para todos os utentes, numa região onde 35 mil pessoas não têm médico de família atribuído. As reivindicações constam do caderno reivindicativo para 2027, que as comissões vão enviar ao Governo e aos partidos com assento na Assembleia da República.

«Não é admissível que os utentes da região mantenham sérias limitações no acesso aos diversos serviços públicos, mantendo-se igualmente a degradação das instalações e a dificuldade de acesso aos serviços públicos», afirmam as comissões de utentes, que dizem propor «uma perspetiva de desenvolvimento que permita romper com a política de direita das últimas décadas» e defender o reforço dos serviços públicos «para fazer avançar a região e o país».

As estruturas garantem que vão prosseguir a sua intervenção na defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) «universal, geral e gratuito», da escola pública e dos transportes públicos, bem como na exigência de «uma empresa CTT 100% pública».

«Na área da saúde as dificuldades são imensas», apontam. Entre os problemas identificados estão a extensão de saúde de Vila Nova de Milfontes, «inacabada há mais de um ano», e a falta de médicos de medicina geral e familiar nos centros de saúde da região. Segundo as comissões, é o recurso a empresas de trabalho temporário que assegura o serviço de urgência do HLA, localizado no concelho de Santiago do Cacém, enquanto a urgência pediátrica do hospital «é assegurada por médicos não pediatras».

Os utentes denunciam ainda que «os médicos de família são substituídos por médicos sem formação específica» e que faltam cerca de 100 enfermeiros em toda a Unidade Local de Saúde (ULS) do Litoral Alentejano. «As grávidas desta região têm os partos na berma da estrada», acusam.

Para responder a estas carências, as comissões reclamam a colocação de pediatras na urgência pediátrica do HLA durante as 24 horas do dia e a adoção de medidas para atrair médicos, enfermeiros e outros profissionais para «esta zona carenciada», através da abertura de concursos com dedicação exclusiva, incentivos remuneratórios, condições de trabalho e formação contínua.

Exigem também a redução de 1.900 para 1.500 utentes por cada médico e enfermeiro de família, um médico dentista por cada 2.500 utentes e condições para a realização de exames complementares de diagnóstico, nomeadamente colheitas de sangue, nos centros de saúde da região.

O caderno reivindicativo inclui a reabertura da unidade de convalescença da ULS do Litoral Alentejano e das extensões de saúde de São Francisco da Serra, em Santiago do Cacém, e de Canal Caveira, em Grândola, bem como a reabertura do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) do centro de saúde de Grândola, a funcionar 24 horas por dia. Os utentes pedem ainda consultas médicas regulares, «no mínimo uma vez por semana», dando como exemplo a extensão de saúde de Canal Caveira, e o «cumprimento integral» dos tempos máximos de resposta garantidos nas consultas e cirurgias em toda a ULS.

No plano nacional, as comissões reivindicam a abolição de todas as taxas moderadoras do SNS e a devolução ao setor público administrativo de «todos os hospitais e unidades de saúde entidades públicas empresariais e parcerias público-privadas».

Nos transportes, os utentes lamentam a falta de comboio de passageiros em Alcácer do Sal, Amoreiras-Gare, Luzianes-Gare e Pereiras-Gare, no concelho de Odemira, e na linha entre Sines e Ermidas-Sado, em Santiago do Cacém, e exigem a reabertura do terminal rodoviário de Grândola.

O estado das estradas é outra das queixas. As comissões descrevem como degradadas a Estrada Nacional 120-1 (EN120-1), entre Sines e a Sonega, e a EN253, entre a Comporta e Montemor-o-Novo, e classificam como «intransitáveis» a EN120, nos troços entre Santiago do Cacém e a Tanganheira e entre Cercal do Alentejo e Odemira, e o troço do Itinerário Complementar 1 (IC1) entre Palma e Alcácer do Sal.

Reclamam, por isso, a reparação daquele troço do IC1 e das estradas nacionais 120 e 253, a construção do Itinerário Principal 8 (IP8) entre Sines e Vila Verde de Ficalho, sem portagens, e de uma rotunda na saída do Lousal e entroncamento no IC1, bem como a extinção das portagens.

Quanto aos serviços postais, as comissões defendem que a privatização dos CTT – Correios de Portugal, concretizada em 2013 e 2014, «deve ser revertida com o retorno ao controlo do Estado antes que seja tarde demais». Segundo os utentes, a prestação do serviço postal universal «tem vindo a ser degradada, propositadamente, sempre a favor dos bolsos dos acionistas dos CTT, quer na qualidade quer na frequência».

As estruturas apontam a falta de carteiros nos centros de distribuição postal para garantir a distribuição diária e domiciliária de correio prevista na lei. «Temos zonas da região em que a mesma só tem lugar quando muito uma vez por semana», referem, acrescentando que, em algumas zonas das sedes de concelho, «a distribuição só tem lugar de cinco em cinco dias, o que é manifestamente pouco e prejudica despudoradamente os utentes».

As comissões exigem a renacionalização dos CTT e, «no imediato», a contratação de carteiros em número suficiente e a reabertura de todas as estações de correio «abusivamente/criminosamente encerradas quer na fase de preparação da privatização quer após a mesma».

Na justiça, pedem a redução das taxas de justiça, o reforço de profissionais nos tribunais, como oficiais de justiça, e a reabertura do Tribunal de Alcácer do Sal.

A lista de reivindicações inclui ainda a redução das taxas cobradas por serviços bancários e o fim das taxas nas operações efetuadas no Multibanco, a redução do preço da eletricidade e do gás, com a descida do IVA para 6% no consumo doméstico, e a redução do preço das telecomunicações.

Os utentes defendem também a contratação de profissionais em número suficiente para as necessidades existentes, com valorização salarial e das carreiras, a não renovação de todas as parcerias público-privadas e o fim do processo de municipalização dos serviços públicos.

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