Utentes pressionam Governo para recuperar estradas em Santiago do Cacém

Um abaixo-assinado com mais de mil assinaturas, reunidas desde o verão por utentes do concelho de Santiago do Cacém, vai ser enviado este mês ao Presidente da República e ao Governo para exigir a reparação urgente de vários troços das estradas nacionais 120, 390 e 262, cuja degradação tem provocado acidentes e danos materiais a quem ali circula.

A iniciativa, promovida pela Comissão de Utentes dos Serviços Públicos de Santiago do Cacém, conseguiu reunir mais de 1.500 assinaturas de utentes descontentes com a falta de manutenção e reparação das estradas nacionais que atravessam este concelho.

“Recolhemos mais de mil assinaturas” para exigir a reparação “de centenas de quilómetros de estradas que estão bastante degradadas no concelho de Santiago do Cacém”, diz o porta-voz da Coordenadora das Comissões de Utentes do Litoral Alentejano, Dinis Silva.

Em causa, refere, estão a Estrada Nacional 120 (EN120), que liga as localidades de Cruz de João Mendes à Tanganheira, a EN390, troço entre Abela e São Domingos, e a EN262, entre Cercal do Alentejo e Bicos, já no concelho de Odemira, distrito de Beja.

De acordo com Dinis Silva, o abaixo-assinado será enviado formalmente, “até ao final deste mês”, ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, ao ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, e ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Mas também a outras entidades como a Infraestruturas de Portugal (IP), que “tem responsabilidade sobre as estradas e não [as] tem conservado”.

“O ano passado tivemos um inverno muito chuvoso” e, sem uma intervenção nestas três vias, a situação poderá complicar-se para os seus utilizadores, admite o porta-voz dos utentes, acrescentando que “é urgente” a sua reparação.

“Já tivemos ali muitos acidentes, além de diversas anomalias, como rebentamentos de pneus, danificação de jantes, amortecedores e transmissões”, numa altura em que “o custo de vida está cada vez mais caro e as pessoas têm de levar os carros à oficina”, cuja fatura “também está cada vez mais cara”.

Com uma greve geral convocada para dia 11 de dezembro, a coordenadora das comissões de utentes do litoral alentejano lembrou, em comunicado, que continuam a existir vários constrangimentos em termos de acessibilidades e na área da saúde nesta região.

Além de contabilizar 25 mil utentes sem médico de família no litoral alentejano, a coordenadora dos utentes refere que, em Canal Caveira, no concelho de Grândola, “há utentes que só têm consultas médicas uma vez por mês” e, em Alcácer do Sal, a população aguarda “há mais de um ano” pelas obras do novo centro de saúde.

No mesmo comunicado critica ainda a falta de vontade política para criar o espaço de uma maternidade no Hospital do Litoral Alentejano (HLA), em Santiago do Cacém, e manifestou-se “contra o encerramento das maternidades do Hospital São Bernardo, em Setúbal, e também no Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro”.

E alerta para a falta de condições da Estação de Comboios de Grândola, cujo abaixo-assinado para a sua beneficiação está a decorrer, e para o funcionamento do serviço de Finanças daquela vila que está sem tesouraria, obrigando a deslocações a Santiago do Cacém, cuja repartição, “por sua vez só funciona um dia por semana”.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Arquivo/D.R.

       

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