A exibição está marcada para as 18h30 (hora local), na sala 12 do Forum Cinemas, e integra a sessão «Pains, Trains and Other Mobiles» da 13.ª edição do Riga International Film Festival (Riga IFF). A projeção conta com a presença dos autores.
Produzido por José Miguel Ribeiro e pela Praça Filmes, o filme tem 10 minutos e não tem diálogos. Estreou-se em julho no Curtas Vila do Conde e vai ser exibido em breve no Cinanima 2026.
O Riga IFF descreve a curta como uma obra «cheia de códigos poderosos, intemporais e poéticos» e escreve que, «à medida que as imagens desenhadas à mão mudam e as personagens ganham vida em imagens surpreendentes, entramos numa terra de lótus e numa alma mais luminosa do que a flânerie celebrada e romantizada por Bob Dylan».
«O seu estilo caloroso dá vida tanto a elementos míticos como a uma melancolia que ignora calmamente o progresso do contemporâneo», acrescenta o festival. Segundo a mesma fonte, a ilustradora e autora de banda desenhada, que vive em Beja e estudou cenografia e figurinos em Lisboa, tem sido «reconhecida internacionalmente» pelo seu estilo de «pátina mítica».
Na sinopse divulgada pelo festival, o protagonista é um homem que «não consegue simplesmente descalçar as botas gastas, à maneira de Van Gogh». É «um solitário que se cruza com os ociosos do quotidiano, os corpos exaustos escondidos no pó de carvão, os estranhos e os espíritos livres». «As paisagens mudam, os dias passam e ele esqueceu-se de casa. Será isto uma fuga ou apenas uma viagem sem destino? Chegará ao fim a sua falta de pertença, descalçará as botas por medo de ficar sozinho?»
Em Portugal, «Vagabundo» é apresentado como «um filme contemplativo sobre a tensão entre liberdade absoluta e necessidade de pertença», que acompanha «um homem errante, sem vínculos nem destino claro, que atravessa paisagens desertas numa viagem mais interior do que física».
Ao longo do percurso surgem símbolos como «o cão, associado à companhia e ao afeto, a casa abandonada, que remete para segurança perdida, e o vento, que reforça a ideia de movimento constante». O filme «questiona se é possível viver apenas na liberdade ou se o ser humano depende inevitavelmente de laços e abrigo».
Susa Monteiro nasceu em Beja, em 1979, e vive na cidade. Estudou realização plástica do espetáculo na Escola Superior de Teatro e Cinema e cinema de animação no Centro de Imagem e Técnicas Narrativas do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, da Fundação Calouste Gulbenkian. Trabalhou em teatro e cinema até 2005, ano em que abriu a Bedeteca de Beja e se realizou a primeira edição do Festival de Banda Desenhada, com os quais passou a colaborar. Desde então dedica-se apenas à ilustração e à banda desenhada, incluindo diversas colaborações na imprensa, incluindo Visão, Público, Alentejo Ilustrado, entre outras.
Susa Monteiro realiza também «Segunda Pele», um dos episódios da minissérie de animação «Estórias Submersas do Alentejo», em produção para Évora – Capital Europeia da Cultura 2027.










