«Queremos passar para um novo ciclo do vinho de talha e [por isso] estamos a projetar que no final de 2027 possamos ter o dossiê completo para voltar a submeter esta candidatura [à Unesco]», adianta o presidente da Câmara de Vidigueira, Ricardo Bonito.
O processo de candidatura da produção artesanal de vinho de talha a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) iniciou-se em 2016 em conjunto com quatro municípios, tendo sido «alargado a todo o Alentejo» em 2017 e 2018, mas apresentou «algumas incongruências». «Podemos dizer que a candidatura não foi rejeitada, mas que precisa de um aperfeiçoamento», reconhece o autarca.
De acordo com Ricardo Bonito, o próximo passo é recolher toda a informação desde «as vindimas, a apanha da uva e [ao colocar] a uva dentro das talhas» para se «aperfeiçoar a candidatura existente» e completar o dossiê em dezembro de 2027.
Sem adiantar se esta versão vai seguir os mesmos moldes da anterior ou se será apresentada individualmente, o presidente da Câmara de Vidigueira considera importante a introdução do investigador Paulo Lima no projeto, salientando tratar-se de um «especialista neste tipo de candidaturas à Unesco», que vem «trazer algum aporte e conhecimento».
Diogo Conqueiro, presidente da Junta de Freguesia de Vila de Frades, localidade que ostenta o título e a marca de «Capital do Vinho de Talha», atribuídos pela Câmara desde 2008, será o comissário municipal para o vinho de talha, património e identidade territorial da candidatura. «Para dar força a esta candidatura nomeámos também um comissário para termos alguém no terreno junto das adegas e termos esse contributo», justifica Ricardo Bonito.
Ainda segundo o autarca, uma reunião realizada no final de setembro com produtores, técnicos municipais e associações do setor «serviu para marcar esse arranque» e dar um «novo impulso» ao processo, permitindo ouvir as expectativas de quem está diariamente ligado à área. «Esta reunião foi o primeiro momento do relançamento em que foi comunicado o estado em que a candidatura se encontra e, a partir daqui, percebermos que estamos em condições de avançar e de afirmar cada vez mais o nosso território», assinala.
Para o autarca, o intuito principal do projeto passa por criar um «plano de salvaguarda que permita que aquilo que vem do tempo dos romanos seja preservado da melhor forma para as gerações vindouras», à semelhança do que aconteceu «com o cante [alentejano] que estava quase desaparecido». «O vinho de talha é algo que está dentro de nós, que nos caracteriza, porque ao falarmos de vinho de talha não falamos só de beber o vinho, mas de todos os momentos que podem ser vivenciados com ele», diz.
Em dezembro de 2023, a Direção-Geral do Património Cultural aprovou a inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial da Produção de Vinho de Talha, reconhecendo a importância do processo «enquanto reflexo da identidade da comunidade envolvente e a sua profundidade histórica e evidente relação com outras práticas inerentes à comunidade».
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa










