Vila Alva volta a abrir portas ao vinho, à gastronomia e ao cante

O Vinho na Vila está de regresso a Vila Alva para transformar a aldeia num espaço de celebração do vinho, da gastronomia e da cultura alentejana. Com dezenas de produtores, provas em adegas tradicionais e momentos culturais, o evento afirma-se como uma experiência imersiva que cruza sabores, saberes e comunidade, valorizando o território e a tradição vínica da região.

Manuel Baiôa (texto) e Enric Vives-Rubio (fotografia)

O Vinho na Vila é um evento que transcende a mera degustação para se afirmar como uma celebração da alma alentejana, da sua cultura e do seu património vínico. Vila Alva transforma-se, por um dia, num vibrante epicentro de sabores, saberes e encontros, revelando a vitalidade de uma comunidade que, com orgulho, partilha as suas adegas e hospitalidade.

Desde a sua génese, conforme sublinhado por Luís Gradíssimo, representante da organização e fundador do Enóphilo, coorganizador do evento com o produtor XXVI Talhas, o Vinho na Vila consolidou-se como uma «referência em eventos de vinho em Portugal, transformando a pitoresca aldeia de Vila Alva, numa verdadeira festa da enogastronomia e cultura». Não é apenas uma mostra de vinhos, é uma imersão num modo de estar, um convite à descoberta de um Alentejo autêntico, onde o espírito comunitário e a paixão pelo vinho se entrelaçam. 

A cada edição, este projeto tem vindo a crescer de forma sustentada, não só em número de produtores e visitantes, mas também na recuperação de adegas e na dinamização económica e cultural de Vila Alva, um testemunho do potencial regenerador do vinho no interior do país.

O coração do evento reside, naturalmente, na prova livre de vinhos, que decorrerá entre as 15h00 e as 20h00 por entre as ruas, adegas e tabernas da terra. Mais de 200 rótulos, provenientes de cerca de 35 pequenos produtores, mostrarão o fruto do seu trabalho nas tradicionais adegas da vila.

Será uma jornada sensorial, um percurso pelas diversas expressões da cultura vínica, atravessando estilos e terroirs que, por vezes, cruzam fronteiras geográficas, mas que, sobretudo, celebram a riqueza e a diversidade do vinho português. A oportunidade de dialogar diretamente com os produtores, compreender as suas filosofias e sentir a paixão que infundem em cada garrafa é um dos pilares que distingue o Vinho na Vila.

A experiência estende-se, como não poderia deixar de ser no Alentejo, à gastronomia. Os «Petiscos dos Chefs na Vila» prometem elevar os paladares, com criações exclusivas dos chefs Francisca Dias, do restaurante Esteva, João Mourato, da Quinta do Quetzal, e João Narigueta, do Poda e Híbrido. Estas propostas culinárias, pensadas para harmonizar com a vasta seleção de vinhos, são um convite a explorar novas dimensões do gosto. Ao cair da noite, o «Jantar com Vinhos» no coração da aldeia, com um menu regional acompanhado pelos vinhos do produtor XXVI Talhas, promete ser um momento de convívio e celebração, reforçando os laços entre visitantes e a comunidade.

A cultura, elemento intrínseco à identidade alentejana, também terá o seu palco. O cante alentejano espontâneo, ecoando pelas adegas e vielas, será uma presença viva, uma banda sonora ancestral que enriquece a atmosfera e sublinha a autenticidade do evento. A organização promete, aliás, outras surpresas culturais, numa demonstração de que o Vinho na Vila é uma plataforma para a valorização das expressões artísticas e tradicionais da região.

O impacto deste evento na dinâmica local é inegável. Ricardo Santos, do projeto XXVI Talhas, tem vindo a salientar como o Vinho na Vila estimula a recuperação de adegas, revitaliza alojamentos e dinamiza a restauração, gerando um movimento económico e social vital para uma aldeia com cerca de 400 habitantes.

Este é um projeto que demonstra como a cultura do vinho pode ser um motor para a sustentabilidade e o futuro das pequenas comunidades, contrariando tendências de despovoamento e esquecimento. É uma oportunidade para Vila Alva reafirmar a sua identidade e a sua história, particularmente a tradição do vinho de talha, que continua a unir gerações e a marcar o quotidiano da aldeia.

Em perspetiva está mais um encontro memorável, onde a excelência dos vinhos, a riqueza da gastronomia e a profundidade da cultura alentejana se fundem numa experiência que honra o passado, celebra o presente e inspira o futuro.

Uma resposta

  1. Eu sou descendente dessa vila .minha mãe nasceu e casou e morreu e está no cemitério dessa terra..eu pouco posso acrescentar..pouco aí passei ..e atualmente nem tenho família com quem prive aí..vou ao cemitério e saio como entrei.sou neto de uma sra chamava se Feliciana..e a alcunha era Palmicha..o meu pai era enteado do sr Adriano Esteves .ainda existem por aí alguns descendentes mas não tenho qualquer convívio..

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