De acordo com o despacho do presidente do Conselho Diretivo do Património Cultural, João Soalheiro, publicado esta quarta-feira em Diário da República, a proposta de classificação fundamenta-se num parecer da Secção Especializada Permanente do Património Arquitetónico, Arqueológico e Imaterial do Conselho Nacional de Cultura (CNC).
“Trata-se de um verdadeiro exemplar único, que pelo seu extraordinário interesse patrimonial e científico, justifica plenamente a sua classificação como MIP”, refere o parecer, consultado pela Alentejo Ilustrado, que lembra a candidatura de Vila Viçosa a Património Mundial para sublinhar que esta classificação “seria talvez um pequeno contributo” para o sucesso da candidatura.
Assinado pelo arquiteto José Dinis Canas, o parecer refere que esta antiga farmácia “constitui um verdadeiro elemento surpresa para quem a visita”, sendo já um “efetivo espaço museológico” graças aos “esforços conjuntos” do Município e da proprietária, descendente direta de António Victor do Monte Júnior, que abriu a farmácia na Rua António José de Almeida, nos primeiros anos da República, no local de uma antiga botica.
“Trata-se seguramente do maior e mais completo espaço histórico farmacêutico em território nacional, incluindo um acervo completíssimo que faz com que se possa aplicar aqui com toda a justeza a estafada expressão parada no tempo”, prossegue José Dinis Canas, segundo o qual nem o Museu da Farmácia, em Lisboa, “consegue apresentar um conjunto tão completo e tão interessante” como o da Farmácia Monte, “graças sobretudo à qualidade e ao estado de conservação dos diversos equipamentos, aliados à ampla escala espacial e arquitetónica da farmácia”.
Já a apreciação técnica, elaborada em novembro de 2022 pela investigadora Ana Maria Borges, da então Direção Regional de Cultura do Alentejo, sublinha tratar-se de uma “farmácia histórica completa”, fundada em 1912.
“A farmácia consta de ampla sala, com duas portas de acesso, para a receção de clientes, guarnecida por 12 armários e três mostradores envidraçados, que alojavam uma grande quantidade de drogas e produtos químicos e uma enorme profusão de acessórios e especialidades farmacêuticas nacionais e estrangeiras”, assinala Ana Maria Borges.
A descrição que integra a apreciação técnica destaca que o mobiliário é o original e que ao fundo da sala se encontram duas divisórias de vidro que davam acesso ao escritório e laboratório.
“Esta farmácia” – prossegue – “para além de manter as características iniciais, também mantém todo o seu acervo, contemporâneo da sua origem: móveis, frascaria, equipamentos tecnológicos e vidros, máquina de prensar, destinada à preparação e venda de produtos farmacêuticos, de higiene pessoal, veterinários e de cosmética”.
Ainda de acordo com Ana Maria Borges, “a frascaria, de vidro amarelo, foi importada diretamente da Alemanha, assim como foram importados os bustos dos mais relevantes vultos da ciência”, de Hipócrates a Lavoiser. Por isso defende tratar-se de um património com “interesse cultural relevante, designadamente histórico, científico e de memória, refletindo valores de antiguidade, autenticidade e originalidade.
Tudo isto, somado ao seu “estado de conservação” e à sua importância “para o estudo da história, nomeadamente social, cultural e das mentalidades, bem como da história urbana de Vila Viçosa”, levam-a concluir que o imóvel e o seu património integrado “reúne condições” para a classificação como Monumento de Interesse Público.











