Volta arrancou em abril mas Mora e Mourão continuam sem pontos de recolha

Quatro meses depois do arranque do sistema de depósito e reembolso, os habitantes de Mora e de Mourão continuam sem qualquer máquina onde entregar garrafas e latas e recuperar o depósito que pagaram. Em Mourão, garante o autarca, nunca houve sequer um contacto para a instalação de um quiosque.

«Mourão não tem nenhum quiosque de recolha deste novo sistema e nunca houve qualquer sensibilização para a colocação dos mesmos, nem junto da câmara, nem dos operadores comerciais», acrescenta João Fortes.

O sistema Volta, em funcionamento desde 10 de abril, indica na sua página eletrónica que possui mais de três mil pontos no país, que permitem aos consumidores recuperarem o valor de depósito de 0,10 euros por embalagem pago na compra de garrafas e latas de uso único, de plástico, metal e alumínio e inferiores a três litros.

Em Mourão, o ponto de recolha «mais próximo» fica no vizinho concelho de Reguengos de Monsaraz. A população, segundo o autarca, também «ainda não deu qualquer indicação de que queira ou esteja interessada» num equipamento no concelho.

«Para já, não houve qualquer pressão pública nesse sentido. E nenhum contacto de quem gere a rede para a criação de um ponto de recolha aqui», pelo que «iremos aguardar esse contacto», acrescentou.

Em Mora, o presidente da autarquia, Luís Simão, avança que a máquina «ainda não está a funcionar», mas «já foi adquirida» e «já está, inclusive, no local», na superfície comercial que vai recolher as embalagens, presumindo «que estará muito em breve a funcionar».

Na falta da máquina, explica, a população de Mora tem de se deslocar aos concelhos vizinhos, que distam «na ordem dos 35 a 40 quilómetros», e «já havia pessoas a questionar porque é que há em todo o lado e em Mora ainda não havia».

«Se as pessoas estão a pagar por uma embalagem, é natural que sejam ressarcidas por isso. O sistema foi montado desta forma, portanto não faz sentido que qualquer cidadão que pague o valor não seja ressarcido, só pelo facto de estar num concelho pequeno», refere.

Isto num município que, salienta Luís Simão, integra o Sistema Intermunicipal de Valorização e Tratamento de Resíduos Urbanos do Distrito de Évora e que, ao nível distrital, é dos «concelhos que têm maior índice de recolha per capita em termos de reciclagem».

Numa pesquisa pelos pontos indicados na plataforma do sistema, dos 308 municípios do país, 16 concelhos não têm qualquer indicação dos pontos e quiosques que «permitem entregar as embalagens com facilidade e garantem o regresso do valor do depósito». Além de Mora e Mourão, a lista inclui mais quatro concelhos alentejanos: Alvito, Barrancos, Fronteira e Marvão.

Questionada sobre a ausência do sistema nesses municípios, a SDR Portugal respondeu que, no total, a entidade possui «303 municípios com pontos Volta registados» e que, dos concelhos alentejanos, apenas Mora não tem registo.

Segundo a mesma fonte oficial, todos os outros municípios que não constam da plataforma «têm pontos de recolha registados» e não aparecem na página eletrónica porque esta ainda não foi atualizada.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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