Henrique de Freitas, que também exercia funções de presidente da Comissão Política Distrital de Portalegre do Chega, indica ainda que apresentou a sua demissão “com efeitos imediatos”.
O deputado diz ter recebido um telefonema do presidente do partido, André Ventura, a comunicar “que não seria mais cabeça de lista” em Portalegre.
Na resposta, Henrique de Freitas manifesta “enorme desilusão”, sublinhando que pensava que o presidente do partido soubesse “avaliar o mérito político” do grupo parlamentar. “Enganei-me redondamente. Lamento por ti e lamento pelo Chega”, lê-se na mensagem dirigida a Ventura.
Já na carta enviada ao presidente da Mesa Nacional do Chega, João Aleixo, Henrique de Freitas considera que a decisão de o afastar das listas revela “desconhecer a realidade política no distrito de Portalegre, levando o Chega para a sua “destruição eleitoral” nas legislativas e autárquicas.
O círculo eleitoral de Portalegre é o que elege menos deputados no país, apenas dois, tendo nas últimas eleições sido atribuídos os mandatos a Ricardo Pinheiro (PS) e Henrique de Freitas (Chega), ex-PSD.
As eleições legislativas antecipadas vão realizar-se em 18 de maio, na sequência da crise política que levou à demissão do Governo AD, que viu a sua moção de confiança chumbada no Parlamento.
“Há um momento em que os presidentes dos partidos têm que tomar decisões, face ao trabalho levado a cabo e face àquilo que se pretende, e ao perfil que se pretende, e aos resultados que se pretende alcançar”, declarou André Ventura, quando questionado sobre o afastamento de Henrique de Freitas, ex-militante e dirigente do PSD.
Interrogado se estava descontente com o trabalho de Henrique de Freitas, respondeu: “Não, eu não digo descontente. As pessoas às vezes podem não voltar a ser candidatos sem que isso ponha em causa o trabalho que fizeram. Neste caso eu entendo que há um perfil mais indicado para os próximos quatro anos e que esse perfil encaixa no doutor João Aleixo em Portalegre. Não tem que ver com estar mais ou menos contente”.