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Há uma aldeia social a pulsar bem no centro da cidade de Borba

Não será fácil encontrar por esse Alentejo fora uma aldeia com piscina, ginásio, centro de fisioterapia, auditório, capela... muito menos onde convivam, diariamente, centenas de idosos e de crianças, com um berçário sempre cheio. Mas ela existe. Luís Godinho (texto e fotografia)

É Carlos Bacalhau, coordenador da área social da Santa Casa da Misericórdia de Borba, quem primeiro utiliza a palavra “intergeracionalidade”. Utiliza-a na primeira frase da primeira resposta à entrevista que gravamos numa das salas de um lar de idosos, totalmente remodelado. Estamos na Aldeia Social, projeto da Misericórdia que tem vindo a crescer no centro da cidade. E a palavra, há que reconhecê-lo, faz todo o sentido.

“Tudo isto”, refere, “foi pensado para juntar idosos e crianças num único centro, onde podemos aproveitar os recursos e ter várias respostas sociais, onde todos se sentem em segurança”. O contexto é mesmo o de aldeia, com arruamentos, espaços ajardinados, equipamentos desportivos, um auditório, um café, uma capela, até um pequeno espaço onde, por estes dias, alguns utentes se entretêm com atividades hortícolas. “Senhor Carlos, a mangueira não chega ali àquele canteiro, sem água morre tudo”, adverte um deles.

Nos três lares residem 130 idosos. Mas por ali há muito mais gente a circular. Há mais 40 idosos em centro de dia, a Universidade Sénior e a Oficina do Idoso andam pelas 120 inscrições, a que somam mais 140 crianças no infantário. Por estar sempre lotado, o berçário vai duplicar a capacidade de resposta, passando a receber 20 bebés. E a estes números há que acrescentar os 170 funcionários da Santa Casa, mais todos os que por ali passam, familiares ou amigos.

Enfim, uma grande aldeia. De onde partem também outras respostas sociais da Misericórdia, como o apoio domiciliário, ou o banco alimentar, ou o centro comunitário, num conjunto de ajudas que chega a 700 famílias. A lavandaria dá resposta a todas as necessidades da aldeia e ainda presta serviços externos. Das cozinhas saem refeições para os utentes, mas também para a cantina social e para outras instituições como a Cruz Vermelha de Estremoz. Não é apenas uma aldeia, esta é uma aldeia plena de vida. 

“Asseguramos uma resposta muito próxima aos problemas das pessoas e temos uma perspetiva de organização e de gestão que permite rentabilizar equipamentos e recursos”, acrescenta Ana Batista, coordenadora para a área da população idosa.

Por “rentabilizar” equipamentos e recursos entenda-se, por exemplo, evitar a duplicação de investimentos. Já aqui se falou da lavandaria, mas poder-se-ia ter referido a “central de compras”, através da qual são adquiridos os produtos e serviços para todas as respostas sociais, o que permite negociar um preço mais acessível. Sendo que nesta área, como em muitas outras, os recursos são sempre escassos.

E a oferta muito inferior às necessidades: “Temos uma grande carência de lugares em lar, a lista de inscrições é muito grande. A única resposta em Borba é a nossa, as 130 camas que temos são claramente insuficientes, tanto mais que somos abordados por pessoas de concelhos limítrofes que não encontram soluções a nível local”, adianta Ana Batista.

Será, claro, um problema de desajustamento entre as necessidades e a oferta existente. Mas não é apenas por aí que a questão deve ser olhada. Aqui há também uma resposta qualificada às necessidades dos utentes. “Bom, quantas unidades destas [no país] têm, por exemplo, um centro de fisioterapia, ou um ginásio, incluído no preço, e com o preço ajustado ao que cada pessoa pode efetivamente pagar?”, interroga a coordenadora, lembrando que muitos dos utentes foram trabalhadores rurais, pelo que usufruem de pensões com um valor “muito baixo”.

Já os apoios do Estado, esses, são claramente insuficientes. “O valor dos acordos de cooperação [isto é, do que a Segurança Social paga por utente] fica muito aquém das exigências que nos são propostas, dos custos que temos e que têm vindo a aumentar, como o dos salários”, conclui.

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