José Alberto Fateixa: “Os desafios da migração e os migrantes” (I)

A opinião de José Alberto Fateixa, professor

Vivemos um tempo de grandes complexidades e é cada vez mais importante conhecer, discutir, envolver e comprometer pessoas/instituições para encontrar soluções exequíveis. O tema da migração é um bom exemplo, sendo históricas as deslocações entre países e até entre continentes de milhões de pessoas enquadráveis em problemas como a supressão de liberdades, as guerras, a pobreza e a falta de esperança no futuro das suas terras de origem.

Todos entendemos as razões dos migrantes procurarem uma vida melhor nos países democráticos e evoluídos da Europa, da América do Norte, da Ásia Oriental e da Oceânia e de não escolherem países muito pobres como o Sudão, o Congo, a Libéria ou de ditaduras férreas como a da Coreia do Norte.

Nas democracias ocidentais a extrema-direita tem sistematicamente levantado a oposição ao acolhimento de migrantes que insistentemente associa a um crescimento descontrolado da segurança. Esta estratégia de confronto e afrontamento continuado, usa habilmente a massificação de informações falsas, de acontecimentos descontextualizados, e dados manipulados que, partilhados, se refletem na criação de sentimentos nacionalistas radicais. A contaminação do ambiente social também resulta muitas vezes da generalização de casos pontuais que funciona como combustível criador de perceções não sustentadas em dados.

Também em Portugal esta corrente está presente e tem crescido, facilitada pela inconsistência e fragilidade de alguns políticos. Dou como exemplo as posições de Carlos Moedas (PSD), presidente da Câmara de Lisboa. Depois de uma intervenção pública do diretor da Polícia Judiciária e da divulgação de relatório da PSP que baseados em dados concretos, sublinham a diminuição da criminalidade, em especial dos crimes violentos.

O irritado Moedas retomou uma posição expressa dias antes do aumento do crime violento, agora defendendo que há uma perceção generalizada de insegurança. Deve um dirigente político responsável falar, em especial em questões de segurança, com base em impressões e não em dados? Ou deve levantar junto do governo (neste caso do seu partido) a urgência de res- postas às suas reivindicações? Será responsável e adulto Moedas desvalorizar posições sustentadas das forças de segurança? O que levou Moedas a transformar uma notícia de excelência sobre Lisboa na defesa de que é uma cidade insegura, logo que não é boa para viver, visitar ou investir?

Pessoalmente considero que as forças democráticas, em particular da esquerda democrática, não têm encarado o impacto real que a agenda da extrema-direita tem na sociedade. Considero positiva a intervenção do Pedro Nuno Santos (PS) que relançou o debate e apresentou propostas responsáveis. Agora desejo sejam gerados entendimentos entre as forças democráticas para resolverem problemas. Voltarei ao assunto.

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