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Bênção do Gado (Santo Amaro) vai ter plano de salvaguarda

A Bênção do Gado, em Santo Amaro (Sousel) iniciou o processo com vista a apresentação de uma candidatura a Património Imaterial da Humanidade. O plano de salvaguarda começa agora a ser elaborado. Ana Luísa Delgado (texto) e Gonçalo Figueiredo (fotografia)

O antropólogo Paulo Lima, alentejano de Sines, a quem já chamam “o nosso homem na Unesco”, foi um dos responsáveis pelas candidaturas (bem sucedidas) do fado e do cante alentejano a Património Imaterial da Unesco, também pelas da arte chocalheira de Alcáçovas ou da morna de Cabo Verde. É ele que está a elaborar o plano de salvaguarda da Bênção do Gado, em Santo Amaro. De olhos postos numa nova candidatura, é claro.

“A Rosa Pomar, que integra esta equipa, está neste momento a fazer a cartografia de outras iniciativas idênticas a nível nacional, de Viseu ao Alentejo”, diz Paulo Lima, sublinhando desde logo que “não há tradições inalteradas”, pois estas “vão-se reconstruindo” ao longo dos tempos.

“O que temos é levar o gado a um lugar religioso e depois pedir uma bênção. A partir daí há várias diferenças. Há lugares, como em Santo Amaro, onde o gado corre num determinado sítio. Noutros lugares fá-lo em torno de uma pequena capela. Isso varia muito. Neste momento estamos a fazer um levantamento muito cuidadoso de todas as festas deste género que se realizam em Portugal”, revela o antropólogo.

A bênção, sublinha, visa pedir “ao divino” a proteção dos animais, sendo que no caso de Santo Amaro foi uma tradição que “teve dificuldade” em prosseguir nos alvores do 25 de Abril, voltando depois a ser recuperada.

“Temos ali diferentes tipos de animais, dos domésticos aos bovinos, caprinos… que são benzidos, no fundo para os proteger contra as doenças, já que são parte importante da economia local”, recorda Paulo Lima, acrescentando que o processo de salvaguarda inclui, além da cartografia “exaustiva” de iniciativas deste género, “a chamada de atenção para a defesa do património genético destes animais”. O que passa, por exemplo, pela valorização da lã.

Em Santo Amaro, os animais são levados ao local onde se encontra um padre – este ano, foi mesmo o arcebispo de Évora a proceder a bênção – numa prática “muito antiga”, comum a diversos países, desde logo a Espanha. 

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